DT CON 2018 - Dia 2: ÉTICA AO CRIAR FUTUROS DESEJÁVEIS - Escola Design Thinking

O segundo dia da Design Thinking Conference, que aconteceu em 27 de novembro na EBAC, trouxe convidadas e convidados de peso para discutir o papel da diversidade e ética ao criar futuros desejáveis. Fizemos um resumo dos melhores momentos que rolaram neste segundo dia (também fizemos o do primeiro dia aqui).

Mário Rosa e Natália Franzon fazem a mediação do segundo dia da DT CON 2018

Por que precisamos de utopias?

Perdemos a capacidade de sonhar. A constatação foi de Ricardo Ruffo, co-fundador da Echos em sua palestra do dia 2 da DT CON, cujo tema foi Design de Utopias.  Ele chegou a essa conclusão após  se dar conta que nossas principais decisões são tomadas por algorítimos sociais, ou seja, pelo efeito causado pela tecnologia que nos faz ver sempre as mesmas informações, nos induzem a comprar os mesmos produtos  e a tomarem as mesmas decisões, nos fazendo viver em verdadeiras bolhas.

Ele lembra como grandes conquistas da humanidade foram possíveis graças a utopias de quem parecia louco, como os direitos das mulheres e conquistas de direitos humanos. Por que então não acreditar em ideias como a renda básica universal, um mundo sem fronteiras e em uma economia abundante? “Utopia significa questionar os padrões e construir novas narrativas. O design pode ajudar neste cenário com sua habilidade de criar novas ideias e resgatar nossa confiança criativa. Assim, não deixamos a criação dos futuros ficar nas mãos dos tecnocratas”, diz.

 Cuca Righini, nossa gerente de Cultura, fez uma preparação para a sequência de palestras que viriam depois, todas sobre diferentes formas de diversidade. Ela falou sobre importância de termos múltiplas visões caminhando juntas para resolvermos os problemas com a complexidade atual. “O design thinking tem sido um caminho para navegar nesta complexidade, trabalhando com a abordagem de convergência e divergência a aliando os valores de empatia, colaboração e experimentação. Ao atingir e alavancar a inteligência coletiva, entendemos o problema e agimos a partir da compreensão”, diz. Afinal, como ela concluiu: em um mundo onde existe inteligência artificial em abundância, a inteligência emocional humana pode ser o melhor a acontecer.

Diversidade como caminho

O que representa diversidade para você? Que diversidade você gostaria de ver representada? Duda Carvalho, co-fundadora da TODXs começou sua palestra com as perguntas acima. E para ajudar o público a refletir sobre as respostas, revelou dados de impacto importantes como:  a cada 19 horas um LGBTQ+ é assassinada no Brasil por causa do LGBTfobia ; entre os 10% mais pobres da população, 76% são negro; de cada 100 pessoas assassinadas no país, 71 são negras.

Mas então, como a gente constrói um novo caminho? Duda propõe a discussão sobre a  Ética, ou seja, os valores que regem a sociedade e cuja definição ideal é “inteligência compartilhada a favor do bem-estar social e aperfeiçoamento da convivência”. Isso significa praticar o desapego do que somos e pensar no coletivo. E para que essa inteligência coletiva aconteça, ela faz uma provocação: existe a possibilidade de inovarmos (seja na sociedade ou numa empresa) com as mesmas pessoas que vem dos mesmos lugares, com as mesmas visões e mesmos cenários de vida?

Novas maneiras de fazer política

 Apesar da onda de descrença que habita o universo da política, Beatriz Pedreira, fundadora do Instituto Update, tem dedicado os últimos anos a mapear ações inovadoras pela América Latina.  E a boa notícia é que ela encontrou bastante iniciativas inspiradoras. Afinal, como ela mesma afirmou, “a inovação vem da necessidade”. Dentre estes achados, eles identificaram sujeitos chamados de “tecedores sociais”, que são pessoas que baseiam seus fazeres políticos em redes de colaboração, afeto, empatia – princípios que rompem com a politica tradicional. Para exemplificar melhor, ela trouxe um exemplo aqui no Brasil: a Gabinetona, um grupo de amigos de Belo Horizonte que resolveram se candidatar a vereadores por meio de um mandato coletivo, com o principio de trazer diversidade para novas pautas – diversidade de cultura, LGBT+ e igualdade de gênero.  Três mulheres do grupo foram eleitas e estão construindo juntos um novo fazer político.

 Garantir acesso à inovação

 Depois de se especializar em Design Thinking, a psicóloga Maitê Lourenço decidiu inovar o e-commerce de gestão de carreiras que havia criado. Foi quando se deu conta que praticamente não havia negros no ambiente de empreendedorismo e inovação que adentrou. Foi pesquisar porque a população negra não estava em nestes lugares apesar de existir 11 milhões de negros com seus próprios negócios. Descobriu uma pesquisa nos EUA que identificou que investidores gostam de investir em pessoas semelhantes a eles e com histórias semelhantes às suas. Como a maioria deles são homens brancos de classe alta, o resultado é a pouca diversidade em um sistema que se retroalimenta. Para mudar isso, ela resolveu criar a Black Rocks, iniciativa que visa fazer a população negra adentrar o ecossistema da inovação e empreendedorismo, ao mesmo tempo que demonstra a esse ecossistema a importância de incluir essas pessoas para inovar. Ela acabou sendo abraçada pelo ambiente de startups e consegue realizar tanto ações que fomentam novos projetos como realizar eventos e mentorias para a população negra.

Imaginar futuros melhores 

Quando paramos para olhar como a sociedade enxerga o futuro ou como a mídia o retrata, que imagens vêm a sua cabeça? Em uma rápida busca ao Google Imagens, a futurista Monika Bielskyte, fundadora ALL FUTURE EVERYWHERE, mostrou o que habita nosso imaginário coletivo: tecnologias aterrorizantes, cidades onde os únicos elementos visuais são a publicidade, personagens solitários, corpos femininos objetificados, lugares poluídos, heróis com um mesmo padrão. Mas isso não é o futuro que nós sonhamos, não é mesmo? É por isso que Monika tem percorrido todos os continentes, principalmente países do terceiro mundo e ocidente, para mapear e desenhar novas tendências de futuros, mais inclusivos e otimistas.

E para evitar que caiamos nestes futuros distópicos que tanto habitam nossas mentes, ela aponta as maiores faltas presente nestas visões  1) Diversidade racial e para além de gêneros binários. 2) Narrativas de comunidades – precisamos imaginar histórias de povos convivendo em harmonia. 3) Celebração da presença física, o futuro como novas possibilidades de mobilidade e não de isolamento. 4) Valorizar rituais e espiritualidade de todas as culturas. 5)  Valorizar a criatividade, juventude e subculturas.

“ Nosso maior desafio é imaginar um futuro com esperança. E essa esperança não pode estar na tecnologia, mas na humanidade”, diz Monika. Para finalizar, ela convida todos a desenharem um futuro coletivo e a levarem a criatividade e imaginação para todas as áreas da vida: empresas, governo, mídia, etc.

 

Na parte da tarde, todos estiveram presentes nos workshops:

 

OBJETOS DO FUTURO

Comandado por Alan Melo, da Evoke Futures, este workshop fez os participantes refletirem e disseminarem o future-thinking de um jeito bem mão-na-massa. Eles jogaram o “The Thing From The Future”, um premiado jogo de imaginação que desafia os jogadores a descrever de forma colaborativa e competitiva objetos de uma variedade de futuros alternativos. Depois disso, eles criaram alguns fragmentos físicos e virtuais desses objetos, de forma com que outras pessoas possam interagir com esses futuros possíveis.

DESIGNING NON DISTOPIAN FUTURES

Neste workshop Monika conduziu um debate sobre como cada um, com suas habilidadese suas histórias de vida, pode ajudar na criação de um futuro não distópico.

DESIGN FICTION EXPERIENCE

A designer thinker Francisca Limberger e o Head of Design da Echos Chico Adelano apresentaram o conceito de Design Fiction como reflexão de futuro. A atividade contou com a apreciação de um futuro possível e um debate ético para construção do futuro desejável e intencional dos convidados.

TECNOLOGIAS DO FUTURO E IMPACTO SOCIAL

Cristian Cunha e Kevin Fenemore, professores da EBAC, abordaram a linha de evolução e popularização de tecnologias como VR, IOT e AI para discutir o impacto humano e despertar novos comportamentos e sistemas.

Para encerrar o dia o happy hour contou com a presença da banda Pitaias e de um living painting com a artista Paula Rezende.

 

 

Se você não conseguiu ir ao evento temos uma boa notícia: você pode conferir as palestras da manhã em nossa live do facebook, veja aqui.

Primeiro dia

Segundo dia

Veja também nossa galeria de fotos do evento.

 

Natália de Almeida Figueiredo

Jornalista de formação, produtora de conteúdo na Echos e produtora cultural no Coletivo Nóz. Possui pós graduação de Gestão de Projetos Culturais e especialista em formação em Design Thinking. Apaixonada por música, educação e ativismo social.

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