DT CON 2018 – Dia 1: INOVAÇÃO É O FUTURO DESEJÁVEL ACONTECENDO AGORA - Escola Design Thinking

Realizamos a segunda edição da Design Thinking Conference com a seguinte missão: refletir sobre como a construção de cenários mais promissores de futuro refletem as ações do presente de governos, empresas, sociedade e indivíduos.

Por isso, reunimos durante os dias 26 e 27 de novembro na EBAC palestrantes nacionais e internacionais, a comunidade de inovadores e designers e um público ávido para aprender mais sobre a construção de futuros desejáveis em diversas áreas da sociedade. Foram dois dias de palestras, talks, workshops, happy hour e muita interação entre os participantes.

Reunimos aqui alguns dos melhores momentos do primeiro dia, cujo tema foi: INOVAÇÃO É O FUTURO DESEJÁVEL ACONTECENDO AGORA, para você relembrar ou ter um gostinho caso não tenha comparecido.

Laura Dusi e Reinaldo Campos fazem a mediação das palestras no primeiro dia

Uma das maiores referências em DT no mundo

 

O primeiro palestrante a subir ao palco foi o professor Ulrich Weinberg, Diretor da HPI DSchool, uma das pioneiras em disseminar o Design Thinking no mundo. O professor Uli, como é conhecido, falou sobre a relevância do design thinking na sociedade e para empresas. Em sua palestra pudemos conhecer um pouco mais como a D. School tem atuado em projetos com o governo e empresas e como seu método de ensino é extremamente inovador: na escola não existe uma grade curricular ou matérias a serem aprendidas, os alunos executam projetos reais com times multidisciplinares, aprendendo na prática a exercer colaboração, empatia e experimentação.

Ele apontou como nosso sistema de educação e, consequentemente, as empresas e organizações, funcionam como uma enciclopédia: por meio de conhecimentos divididos em caixinhas, quando em um mundo globalizado e tecnológico, no qual as informações e mudanças acontecem de forma cada vez mais rápida, isso não faz mais sentido. Deveríamos funcionar mais em rede, com times multidisciplinares e conhecimentos conectados, para exercitarmos o pensamento crítico e saber lidar com a complexidade. E se isso parece algo ainda muito longe de acontecer, Uli aponta o caminho: o design thinking é a abordagem ideal para começar essa transformação.

 

Você prefere prever o futuro ou criá-lo?

 

Depois de aprender sobre o design thinking, qual nosso próximo passo como designers no mundo? Foi essa motivação que fez Juliana Proserpio, co-fundadora da Echos, a se especializar no Design de Futuros Desejáveis, tema de sua palestra este ano. Juliana, que atualmente mora na Austrália, veio para o Brasil especialmente para o evento. Este “movimento”, como ela gosta de definir, se consiste em aplicar o design thinking para resolver problemas complexos e transformar o futuro. “É preciso pensar em como nós não apenas reagimos às tendências, mas nos tornamos designers do nosso futuro.”

Em um mundo onde as tecnologias têm mais influência em nossa vida que os próprios governos e inteligências artificiais produzem coisas por si só, qual nosso papel diante do futuro? Ficarmos paralisados com medo de um efeito “Black Mirror” ou projetá-lo para que ele seja melhor?

Aí que entra o papel do design de futuros desejáveis: para atuarmos com intenção, não sermos passivos na construção dos futuros e nem deixarmos essa construção cair nas mãos de autocratas. E para atuar com este movimento, Juliana aponta premissas fundamentais: que ele seja diverso, focado nas pessoas, inclusivo, intencional e que seja construído colaborativamente.

 

Experimentação e colaboração dentro da Coca-Cola

Uma das maiores dúvidas que as pessoas costumam ter é como o design thinking é implantado no dia a dia de uma empresa. Cristiana Grether, Diretora global de design da Coca Cola, explicou como está aplicando a abordagem em toda a empresa. Ela, que atualmente trabalha na sede internacional da empresa, em Atlanta, foi a responsável pela maior mudança do visual da marca, e usou o DT tanto no processo de criação do novo design, como para implementar uma cultura de inovação na Companhia. “Se você não souber exatamente o problema que você quer desenvolver, não adianta aplicar as metodologias Agile”, diz, sobre a importância do design thinking para achar o cerne do problema.

Ela indicou as três premissas que utiliza para aplicar o DT na Coca-Cola: 1) O humano no centro das decisões, seja ao criar produtos, seja nos times.  2) Cultura do desaprender- tentar fazer com que todos entendam que se “sabemos tudo sobre o mundo hoje, amanha não sabemos nada”. 3) Adaptabilidade – o mundo vai mudar cada vez mais rápido. Precisamos saber nos adaptar para criar soluções para problemas que nem existem ainda.

Desenhando o Futuro da Saúde

Se a complexidade do mundo atual tem afetado as organizações como um todo, imagina só a quantas anda o sistema de saúde, um universo onde ninguém está satisfeito: pacientes, médicos, governos e operadoras. Jakoo Tammela, diretor de design da Fjord Brasil, uma consultoria global de design e inovação, falou sobre o assunto com sua palestra Desenhando o Futuro da Saúde. Em sua pesquisa sobre o assunto, ele detectou os maiores problemas que impedem a saúde de ter um caráter inovador e humano:  ele é um sistema fragmentado que deveria ser conectado, os dados sobre os pacientes são centralizados, quando deveriam ser compartilhados e ele é focado na doença e remédio, em vez de na saúde e prevenção.

Como o design pode ajudar a resolver esses problemas? Não existe resposta certa, mas ele pode ajudar no principal: descobrir a causa-raiz do problema. Ele usa como comparação a época em que surgiram os hospitais no mundo: focavam apenas em resolver a dor, investindo em anestesias, até investirem na causa da doença, que era a infecção por bactérias.

Um futuro abundante

 

O que faz um futurista em uma empresa como Alelo? Garantir que a inovação aconteça. Esse é o papel de Demetrio Teodorov na empresa. E tudo só é possível, graças a sua visão otimista de futuro, proporcionada por sua escola de referência, a Singularity. “Nossas profissões irão mudar, mas não para pior: a inovação vai mudar nosso jeito de trabalhar”, diz.

Um exemplo de como a inovação pode ajudar o futuro a ser abundante: eles foram mentores de uma startup chamada Its for you, que conecta donas de casa que vendem marmitas a empresários que queriam comer comida caseira. Toda uma cadeia se beneficiou da iniciativa.

Depois de mostrar cases de empresas que estão inovando na finança, ele compartilhou com o público uma pesquisa sobre economia de Amin Toufani, diretor da Singularity University, sobre as principais tendências do futuro da área. Dentre os maiores aprendizados que se pode tirar estão:  1)Soluções que auxiliam as pessoas a saírem das dívidas, trazem prosperidade para toda a cadeia, 2) Tendência dos pagamentos por app, que mudam a cadeia de valor e 3)Ficar perto de ambientes de startups, como eles fazem com a Inova Bra, ajuda a gerar inovação.

 

Depois das palestras, houve um debate com os palestrantes

 

Depois do almoço, foi hora do público se dividir para os workshops mão na massa e aprender sobre os seguintes temas:

 Projetando o papel do futuro nos negócios

Chico Adelano, Head of Design & Innovation da Echos  e Bráulio Araújo, Design Thinker, conduziram o workshop que explorou a obsolescência dos negócios e o movimento de transformação para um modelo sustentável baseado em visão de futuro desejável. Os convidados produziram uma linha de ação para seus desafios atuais.

Projetando o futuro das cidades

O workshop liderado pela Carla Link da Talking City, contou com a participação de Alexandra Favero, especialista em branding e identidade.  Os participantes aplicaram na prática algumas ferramentas para repensar o futuro da sua própria cidade colaborativamente.

Projetando o futuro da genética

Os participantes deste workshop foram conduzidos por cientistas a conhecer as possibilidades de modificações através da microbiota humana. Na sequência, foram convidados a prototipar produtos utilizando técnicas de edição genética. Ao final, teve uma discussão em grupo sobre como as implicações comportamentais e sociais dos produtos sintéticos criados, levando-os a refletir sobre construções do futuro.

DESIGNING DESIRABLE FUTURES

Juliana Proserpio e Laura Dusi conduziram os participantes a aprenderem e praticar como o design de futuros desejáveis permite sair do papel de espectador e passar a ter uma posição ativa para desenhar um futuro desejável inclusivo e estratégico para corporações, governos, negócios e para a sociedade civil.

 

Para finalizar o dia, um happy hour com a banda Filipe Dias Trio

Gostou das palestras e quer saber mais sobre elas? A boa notícia é que você pode conferir todo o conteúdo da manhã na nossa live do Facebook. Acesse o link para:

Primeiro dia

Segundo dia

Confira também nossa galeria de fotos do primeiro dia do evento.

Natália de Almeida Figueiredo

Jornalista de formação, produtora de conteúdo na Echos e produtora cultural no Coletivo Nóz. Possui pós graduação de Gestão de Projetos Culturais e especialista em formação em Design Thinking. Apaixonada por música, educação e ativismo social.

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