5 cases de design thinking na educação. - Escola Design Thinking

Para ilustrar o que vimos nos posts anteriores: Como o Design Thinking pode transformar a Educação e Como educar em um mundo que muda cada vez mais rápido, citarei hoje 5 cases de design thinking na educação.

Uma escola construída por todos

Uma maneira eficaz de engajar as partes interessadas é colaborar profundamente – para projetar com, não para -, a fim de desenvolver ideias inclusivas, onde todos sintam um senso de propriedade. A equipe de design formada por alunos, professores e membros da comunidade, por exemplo, reuniu-se em Providence, Rhode Island,  para projetar uma escola centrada no aluno, em parceria com a Business Innovation Factory, a Juventude em Ação, o Departamento de Escola Pública de Providence e o Departamento de Educação de Rhode Island, com o apoio da Carnegie Corporation de Nova York, da Nellie Mae Education Foundation e da Rhode Island Foundation. Após a formatação um comitê gestor composto por alunos revisou e deu feedback sobre o trabalho da equipe de design, e os alunos e membros da equipe foram treinados no processo de design thinking, que orientou o processo de criação do modelo de escola.

O modelo BUILD

Já Swaniker e Bradford adaptaram o processo de design thinking para o contexto africano desenvolvendo o modelo BUILD (Acreditar – Compreender – Inventar – Escutar – Entregar), que coloca ênfase extra na compreensão de vieses, suposições e contexto histórico. O BUILD é uma parte importante de como as ideias são desenvolvidas e testadas na African Leadership Academy (ALA), lançada em 2008.

Innova Schools

Além disso, o design thinking também pode ser usado para conceituar sistemas em escala. O empresário peruano Carlos Rodriquez-Pastor, CEO do grupo empresarial Intercorp, abordou a IDEO com um objetivo: aumentar a classe média do Peru. Para fazer isso, Rodriguez-Pastor queria criar uma rede de escolas que oferecessem uma educação internacional de alta qualidade à juventude carente do Peru.

Uma equipe multidisciplinar de designers da IDEO colaborou estreitamente com um grande grupo de interessados ​​- desde pais até professores iniciantes ao Ministério da Educação – para entender o que significa educação excelente no Peru e quais restrições podem impedir a escalabilidade. Essas restrições se tornaram a base da criatividade da equipe – em vez de projetar o modelo perfeito para uma escola e tentar replicá-la, a equipe projetou o modelo para funcionar quando poderia haver 70 ou até 200 dessas escolas.

A equipe desenvolveu um conceito que inclui um modelo de aprendizado e uma estratégia de escala que utiliza espaços de aprendizagem combinada, modulares e flexíveis, além de ferramentas e treinamento para apoiar os professores. Essa abordagem holística, centrada no ser humano, do design da escola resultou em uma experiência de aprendizado do ensino fundamental e médio que é uma tarefa ordenada, escalável e excelente. Este modelo se chama Innova School.

 Design for Change (DFC)

Outro fator importante do Design Thinking é a confiança criativa e o empoderamento do aluno(a) por meio dos valores da empatia, colaboração e experimentação e compartilhamento do conhecimento.

Kiran Bir Sethi, uma designer que se tornou educadora em Ahmedabad, na Índia, queria ajudar as crianças na Índia a acreditar no poder do “eu posso”. Em 2009, ela lançou o Design for Change (DFC), um concurso para os alunos(as) falarem problemas em suas comunidades através do design thinking em grande escala, a DFC promoveu a educação baseada em design e a ideia de jovens como criadores de mudanças

Global Minimum (GMin)

Ensinar o design thinking aos estudantes também está tendo um efeito similar na África. De longe, a região mais pobre do mundo, sendo que 43% da população da África Subsaariana tem menos de 15 anos, e com pouca perspectiva de futuro, uma vez que as oportunidades se concentram em agricultura ou extração de recursos naturais. Na Serra Leoa, aproximadamente 70% dos jovens estão subempregados ou desempregados, o que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (2016) considerou ser a principal causa básica do surto de conflito civil no país. Assim, David Sengeh, que cresceu em Serra Leoa e estudou em Harvard e no MIT viu o design thinking como uma maneira de mudar o rumo da África, capacitando os jovens para enfrentar os problemas em suas próprias comunidades. O que o levou a criar a Global Minimum (GMin), uma organização não governamental internacional (ONG), onde jovens de escolas secundárias recebem fundos de orientação e prototipagem para resolver problemas na sua comunidade local. Os protótipos desenvolvidos incluíam combustível doméstico, sistemas de eliminação de resíduos e uma estação de rádio comunitária. Depois que os jovens desenvolvem protótipos, os finalistas recebem acompanhamento e orientação para melhorar e dimensionar suas ideias.

 

Assim, o Design Thinking ao tornar-se um novo método de aprendizagem, é um a convite a retomada de valores que já foram abordados no século XX por Anísio Teixeira,Lourenço Filho, Fernando De Azevedo, Paulo Freire, Maria Montessori, Darcy Ribeiro, Rubem Alves, Florestan Ferandes, entre outros.

Natalia Dos Santos

Formada em Relações Internacionais, nos anos de graduação focou na área de direitos humanos e no terceiro setor. Incomodada pelas metodologias de ensino tradicionais especializou-se em facilitação de processos de aprendizagem, viajou para Índia, onde pode realizar o curso Ecovillage Design Education, pela instituição Gaia Education/ UNESCO. Atualmente, faz parte do time de Design Thinkers da ECHOS.

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