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O design está encontrando seu lugar em diversos setores do século 21 e, por isso, pedimos à equipe de Liderança em Design da Echos para responder a perguntas que estão na cabeça de todos. Como você monta uma equipe de design em um espaço de design não tradicional, como finanças? E quais são as cinco qualidades essenciais de um líder em design?

Acesse sua página inicial do LinkedIn. Navegue até o ícone de pesquisa localizado no topo da página. Digite a palavra “design” e observe o que acontece. No momento em que estava escrevendo este artigo, a pesquisa obteve mais de 45 milhões de resultados. Pessoas com esse cargo. Pessoas que trabalham nessa área. Pessoas transformando suas indústrias pelo poder do design em todas as formas e formatos.

De finanças a saúde e instituições governamentais, os designers encontraram o seu lugar. E as habilidades dos designers de hoje não dependem mais da Adobe. Provavelmente, muitos desses designers não usam óculos de cor neon ou trabalham em uma cadeira de desenho para um grande projeto; ou seja, eles não correspondem ao estereótipo que temos de um profissional de design.

Agora, eles se sentam com a equipe de gerenciamento para esboçar planos de negócios e navegar pelos dados com profissionais de outras áreas. Esses são os designers que dão as cartas em um mundo liminar. Os limites foram ultrapassados e não há mais razão para manter os designers trabalhando em cubículos, apenas projetando.

Conversei com a equipe de Liderança em Design da Echos sobre as mudanças nas funções dos designers no século 21. Afinal, o que é Liderança em Design e quais são as cinco principais características que eles trazem para um setor repleto de terminologias e tendências?

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Conheça Márcio Leite

Conheça Márcio Leite

Márcio Leite chefiou a equipe de Design Estratégico da Rede Globosat e da TV Globo. Na Globosat, implantou e liderou um laboratório de inovação, desenvolvendo projetos de inovação sistêmica e atuação com áreas internas e com parceiros comerciais (anunciantes) de diversos segmentos e indústrias. De designer gráfico em uma agência de design digital com sede em Londres a líder do laboratório de inovação de um conglomerado de mídia, Márcio é a personificação do que Echos quer dizer quando fala sobre a mudança de papéis dos designers.

Acabei de apertar o botão de gravação no Zoom. Márcio usa um moletom Puma, estilo anos 70. Minhas perguntas estão em mãos, e os óculos dele refletem seu abajur fluorescente na tela. Vamos em frente. 

 

O que exatamente mudou ao longo dos anos no espaço do design? Estamos falando de um novo século e de como estamos vivendo em um novo tempo. As pessoas chamam de pós-Covid. O que mudou?

As coisas evoluíram na profissão – a maneira como produzimos, criamos e desenvolvemos as coisas. Dez ou quinze anos atrás, o processo era mais centrado no talento. Gastávamos uma quantidade enorme de tempo, trabalho e esforço para criar algo novo e original, mas que não era funcional ou eficiente. Então essa é, eu acho, a principal mudança.

Agora, as empresas realmente querem aproveitar ao máximo seus recursos. Portanto, o papel do designer mudou. Eu realmente acredito que estamos mais perto dos tomadores de decisão do negócio do que nunca.

 

Sim, mas alguns discordam que os criativos sempre estiveram perto do core do negócio, não é?

 

Pelo menos pela minha experiência, eu diria que éramos mais como um acessório. Estávamos mais perto do mercado do que do negócio.

Um CEO não pediria a um designer para ajudar a criar um plano anual para a empresa. E o que vivenciei até agora nos últimos anos da minha carreira é que fomos introduzidos na diretoria para criar soluções com base em informações de pesquisas.

E, claro, ainda temos designers trabalhando em todas as linhas de produção, mas também estamos construindo uma estratégia de negócios com a diretoria. A maioria das empresas hoje em dia tem um CDO, Chief Design Officer, que é uma posição bastante elevada em uma empresa.

Definitivamente, o título de designer não designa apenas quem cria bons recursos visuais ou aplicativos; também trata-se de tomar decisões sobre os rumos que uma empresa seguirá no futuro.

 

Então, como diferenciaríamos o programa de liderança em design da Echos de outros programas de liderança em design que estão sendo anunciados por aí? Como é diferente?

É a abordagem de todo o sistema.

Com o programa de liderança em design, você tem algumas ferramentas da perspectiva do design para aplicar aos negócios. Você tem mais visões dos consumidores. Você otimizará todos os dados e pesquisas para criar discursos e narrativas para os negócios que terão um impacto significativo em seus resultados financeiros.

Houve uma época em que os designers eram “celebridades” que trabalhavam em silos para produzir objetos que todos nós valorizamos. As empresas de hoje estão exigindo mais. Elas querem uma visão mais holística do que oferecem. Os líderes de design sabem exatamente como enfrentar o momento ligando os pontos, organizando ativos, gerenciando talentos multidisciplinares, trabalhando de dentro da organização para gerenciar transformações significativas – por exemplo, digitais.

Os designers de hoje são mediadores, facilitadores, curadores e bons ouvintes. Não há mais espaço para aqueles egos que produziram as estrelas do design de antes.

 

O que qualifica alguém como líder em design? Existe uma coisa chamada Liderança em Design?

Sim. Eu acredito que existe liderança em design. Em uma empresa, há cargos de diretores de design que irão liderar equipes para projetar produtos digitais etc., e acho que isso é uma especialidade. Porém, liderar equipes para produzir de forma coerente é liderança. Esses tipos de líderes em design estão mais próximos do negócio – por exemplo, redefinindo as visões do futuro. E acho que essa é a principal diferença. Definir as visões de futuro do negócio.

Acho que os designers realmente podem construir novas visões do futuro. Eles entendem o contexto, as pessoas para as quais estamos projetando e as necessidades. Em seguida, eles combinam isso com a visão de negócios. Esses tipos de líderes sentam-se com a diretoria para criar ou redefinir a visão do futuro. E é isso que qualifica alguém para estar na liderança em design. É muito diferente de ser apenas um diretor de criação.

 

Saiba mais sobre Design de Futuros

Em outras palavras, você pode ser mais orientado para a produção ou ser um visionário?

 

Sim, exatamente. Acho que a abordagem seria a mesma. Quer dizer, a maneira como aplicamos nossas habilidades para construir um sistema de design. Vamos pegar um aplicativo de banco, por exemplo. É o mesmo pensamento que você aplicaria a uma empresa para lançar novas soluções de negócios, novos produtos etc.

 

Interessante. Você mencionou algo enquanto conversávamos, não acho que você quis dizer deliberadamente. Você falou sobre a construção de sistemas. Você quer explicar o que significa construir sistemas?

 

Sim, construir sistemas é realmente uma necessidade crucial das empresas de hoje. 

 

No passado, tínhamos essas formas de silo de trabalho – um ambiente muito competitivo. Porque, é claro, cada silo queria se destacar em seus resultados. Tempo e recursos foram desperdiçados. Hoje, as empresas são mais assertivas nos resultados desejados, pois as mudanças acontecem constantemente. Portanto, os designers precisam ser mais eficazes, fazer as coisas com mais eficiência e focar no desafio do negócio. Isso requer que todos estejam alinhados e, ao mesmo tempo, tenham essa distância da empresa para ter toda a visão do sistema.

 

É uma forma totalmente nova de trabalhar e organizar os ativos para produzir novas soluções, produtos e serviços. Portanto, trata-se de criar novos sistemas que dependem do que já existe, criando novos recursos ou exigindo mais investimentos.

 

Considere, por exemplo, as empresas que estão fazendo a transição para o processo de transformação digital. Agora, elas precisam mudar sua cultura. Isso exige liderança em design.

 

Sendo um designer holístico ou de sistema, um profissional pode ter uma visão geral e ajudar a fazer parte dessa nova cultura. É isso que você está dizendo?

 

Na verdade, houve uma época em que tínhamos designers agindo como celebridades. Hoje não estamos mais isolados do negócio. Somos apoiadores, mediadores, facilitadores e ouvintes que entendem o contexto – você conecta os ativos certos para produzir novos resultados.

 

Hoje em dia, deixamos nosso ego na porta antes de entrar porque não queremos celebridades. Procuramos mediadores. Estamos procurando co-atores. Procuramos co-designers, muito mais do que apenas o designer que tínhamos.

 

Ou seja, não se trata apenas de oferecer soluções. Acho que estamos criando diálogos. E, para mim, isso é mais importante do que ter que encontrar soluções para tudo ao nosso redor.

 

Você precisa frequentar uma escola de negócios ou liderança para aprender isso ou isso é parte do que você aprende no programa de Liderança em Design da Echos?

 

Bem, eu realmente acredito que, hoje em dia, você deve entender a motivação dos membros de sua equipe. Se você conhece a motivação e se essa motivação está ligada ao propósito da empresa ou ao departamento que você lidera, esse é o primeiro ponto de alinhamento.

 

A segunda coisa em que realmente acredito é que, quando você está liderando uma equipe, não deve ser aquele líder autoritário. Quer dizer, não faz muito sentido se você está falando sobre colaboração e cooperação. Portanto, para chegar a um consenso entre as equipes, ajude-as a compreender os objetivos e a criar novas visões. Essa será uma maneira de mantê-las realmente engajadas.

 

Ao criar soluções, em vez de provocar competição, permita que cada membro da equipe defina seus próprios objetivos. Isso é muito importante.

 

O que você quer dizer?

 

Bem, quando você dá a eles um objetivo significativo dentro dessa visão de negócios, deixe a equipe definir seus próprios desafios. Porque, se você der o objetivo e apontar a direção, como as pessoas se sentirão úteis na tarefa? Você entende o que eu quero dizer? Você deve abrir espaço para a equipe co-criar seus próprios objetivos, eles surgirão com novas soluções.

 

Você precisa deixá-los saber que não se trata apenas do resultado, mas do processo que está acontecendo. Absolutamente.

 

Mas a diretoria está sempre falando de resultados. Como você equilibra tudo isso?

 

Defina marcos – algumas formas de mensuração de realização durante um projeto. Assim, você definirá com seu grupo esses marcos durante o projeto e comemorará cada um deles.

 

  1. Para recapitular, por favor compartilhe cinco pontos essenciais que você recomendaria para qualquer pessoa que esteja construindo uma equipe de design agora, especialmente em um espaço não tradicionalmente criativo, como fintech ou saúde.

1 – Construa confiança.

O ponto de partida é a confiança. Tenho um amigo que dá o seguinte exemplo: vou falar ao meu filho “vou segurar sua mão e vamos pular do penhasco. Eu nunca vou largar sua mão, não importa o quão longe possamos ir. Eu vou abraçar você forte. Então, você pode confiar que vou segurar sua mão até o fim.” A sua equipe é o seu filho: deixe-os saber que você não vai deixá-los na mão. Você não vai deixá-los cair, não importa o que aconteça.

2 – Comemore cada marco

Cada pedra que você coloca na construção dá trabalho e leva tempo. E se as pessoas virem os resultados, elas ficarão motivadas a continuar porque há evidências de que o processo está funcionando. Então, eles vão querer continuar trabalhando. Por exemplo, se você estiver buscando um investimento significativo em sua empresa para o fim do ano, deve mostrar a eles em janeiro que o processo já está funcionando. Não espere pelo grande momento. Não espere até o fim do processo. Deixe as pessoas saberem que o processo está funcionando porque elas querem ver que estão investindo seus talentos em algo produtivo.

3 – Faça com que todos se sintam igualmente importantes.

Quando você faz parte de uma equipe, quando você está construindo junto, acredito que um bom líder vai trabalhar junto com a equipe, vai compartilhar o trabalho junto com a equipe o tempo todo. Evite qualquer tipo de preconceito durante o processo. Deixe sua equipe ter autonomia para tomar decisões e propor soluções. Colocando todos no mesmo nível, sem tratamento preferencial, sem celebridades. Isso pode soar como algo que ouvimos em todos os lugares, mas é real. Em outras palavras, seja prático, sente-se junto, trabalhe com todos. Acho que essa é a maneira de tornar o processo mais horizontal.

4 – Não provoque competição. Inspire.

Como líder, você deve inspirar sua equipe para mantê-la motivada. Mas a maneira como você faz isso pode ser diferente quando falamos sobre liderança em design. Devemos criar uma visão de futuro para a equipe, fazendo-os ver para onde estamos indo. Eles estão construindo novos paradigmas, novos sistemas. Portanto, precisamos inspirá-los a pensar de uma nova maneira. Ajude-os a imaginar o que está por vir.

5 – Crie rituais com sua equipe.

É importante ter rituais e usar ferramentas para manter a equipe trabalhando junta. Isso os ajudará a ter uma visão geral dos desafios do negócio ou da empresa. Então, quando você os mantém no mesmo ritmo usando rituais e ferramentas de design, você os ajuda a imaginar o que está por vir. É muito útil mantê-los afastados da ansiedade, porque às vezes as equipes começam a se perguntar para onde estão indo. Portanto, um líder em design não é apenas um líder, mas também um “guia espiritual”.

 

Os rituais nos mantêm com os pés no chão, na realidade da nossa união, nos fazem acordar e acreditar que ainda estamos juntos porque sabemos que, quando acordarmos, nossos vizinhos vão dizer “bom dia”. Isso é um ritual. Se eu acordar amanhã e eles não disserem isso, começo a sentir que algo está errado. Portanto, como líder em design, você deve criar rituais internos que podem ajudar as pessoas a se estabelecerem e entenderem que estamos aqui. Juntos.

 

E quanto ao pessoal externo, aqueles que não são designers, que são a diretoria, CFOs e tudo mais. Como você se dá com eles? Porque, como uma pessoa em um cargo de liderança, você deve liderar não apenas os criativos. Você precisa caminhar junto com outras pessoas, como o responsável pelas contas. Você está trabalhando com pessoas que não entendem nada de design. Como você lida com isso?

Venho trabalhando com equipes multidisciplinares, como na empresa de mídia. Trabalhei com designers e redatores, editores e diretores de negócios. A dica é aplicar esses cinco princípios básicos a eles também. 

A confiança é o primeiro passo. Eles estão investindo dinheiro em você. Você tem que mostrar os ganhos rapidamente e mostrar o que realizou em termos de retorno sobre o investimento, ROI.

Então, por exemplo, se você tiver um plano de negócios anual. Digamos um orçamento – esse orçamento pode aumentar ou diminuir durante o ano porque eles podem tirar o dinheiro da sua área, principalmente na área de inovação. Mostre a eles rapidamente que o que você está fazendo está funcionando. Mostrar evidências de ROI será a linguagem que eles entenderão.

E, ao fazer isso, inclua-os no processo, isso os ajudará a acompanhar a evolução.

Além disso, ajude com os pequenos desafios. Você sabe que tem que mostrar o resultado do seu trabalho, mas pode ajudar os outros, algo conciso. Se você mostrar a eles a aplicação do processo, a aplicação das ferramentas, a aplicação da abordagem, você constrói confiança. Portanto, quando virem o resultado nas pequenas coisas, eles se interessarão em apresentar desafios ainda mais significativos.

Pequenos resultados inspiram investimentos maiores.

 

E quando é que você dá as cartas? Quando você diz que algo não vai funcionar? Digamos que eles estão tirando o seu orçamento e cortando tudo. Quando você para?

Acho que há um conceito que me esqueci de citar nesta conversa. Transparência.

Isso é muito importante.

Quando você tenta construir a confiança com as partes interessadas, é essencial ser transparente no processo. Isso significa que, quando algo está errado, ninguém ficará surpreso, porque estão acompanhando o processo com você.

E conforme você constrói passo a passo e tijolo por tijolo, isso será observado pela equipe. Todo mundo vai perceber se as coisas estiverem indo na direção errada, então você tem tempo para fazer ajustes.

Em termos de liderança de design, a carga de responsabilidade é compartilhada com todos como parte do processo.

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Confira outras conversas sobre design, liderança em design, design de futuros e design digital neste canal. Debatemos como os designers estão lidando com este momento. Vamos compartilhar histórias.

Kehinde Bademosi

Kehinde Bademosi é o estrategista e contador de histórias que criou e administrou o setor de inovação social do Departamento de Saúde da Cidade de Baltimore por meio da Universidade Johns Hopkins. Antes de trabalhar no setor público, Kehinde foi Diretor Executivo de Criação da DraftFCB, Lagos, onde gerenciou diversos talentos e criativos para clientes de vários países.

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