As novidades do SXSW 2019 pelo olhar do design - Escola Design Thinking

O SXSW surgiu como um festival de música com a proposta de ocupação da cidade de Austin, no Estado do Texas dos EUA. Ao longo dos anos, sua proposta foi se ampliando, e atualmente ele é considerado o maior festival de inovação do mundo.

O evento se divide atualmente em 4 pilares: interação (tecnologias e inovações), filmes, música e comédia. Em cada um deles, há um mundo de conteúdos, ações e eventos acontecendo concomitantemente, se tornando bem fácil para o participante ou para quem pesquisa sobre o evento se perder em um mar de informações. Para ajudar a filtrar as principais novidades do SXSW 2019 pela lente do design e da inovação, trazemos aqui a fala de alguns especialistas da área que estiveram presentes no evento por meio de uma missão da ABEDESIGN (Associação Brasileira de Empresas de Design), dentre eles, o Head of Innovation Projects da Echos, Chico Adelano.

Humanização da Tecnologia, por Chico Adelano, Head of Innovation Projects da Echos

Dentre as percepções gerais do evento, Chico identificou um debate ético sobre a humanização da tecnologia. E isso percebeu-se desde as invenções mais peculiares como o cachorro-robô da Sony que encantou os participante e o pato-robô enviado para crianças em tratamento de câncer em hospitais:

 

 

Até produtos considerados habilidades humanas extendidas pela tecnologia. Dentre os quais se destacaram:

A L’Oréal e a La Roche-Posay que lançaram o “My Skin Track UV“, um sensor de segurança solar e de pele para ajudar mulheres e homens a rastrearem sua exposição aos raios UV, poluição e umidade.

Um aparelho de audição para não-deficientes. Ele serve para regular o volume do que se ouve ao redor e para deixar o som mais grave ou agudo.

Um aparelho de ultrassom que se conecta ao telefone e permite consultas on-line com médicos.

Um aparelho para segurança de mulheres que informa geolocalização e atende a chamadas em tempo real.

Algumas provocações levantadas por palestrantes dentro do universo do design:

“Impacto social depende
de trabalhar com etnógrafos de verdade”, disse Tanarra Schneider, Grupo Director da Fjord, ao resgatar a importância de uma boa pesquisa para projetos de inovação.

“Design Fiction é mais importante que o Design Thinking”, segundo Ann Rosemberg, VP, Global Head  da SAP, que acredita  que design fiction tem maior poder de impacto e engajamento que o Design Thinking.

“Design é commodity. Criatividade é Asset”, disse Stephen Gates, CDO da inVision, que apresentou uma pesquisa que afirma que o design pode se esgotar em algum momento, mas a criatividade não.

Ainda segundo Chico, os assuntos que mais reverberaram foram:

-A afirmação de que “a privacidade está morta” da futurista Amy Webb. Segundo ela, “não se trata apenas da exposição de informações triviais como seu endereço de e-mail. Dados tão íntimos como seu DNA podem hoje estar sendo explorados por aí.”.

-A palestra do especialista em marketing e inovação, Rohit Bhargava, que apresentou sete novas características sociais que em breve devem imperar em diferentes campos da tecnologia e da comunicação (vamos falar mais adiante sobre cada uma delas)

-Um protótipo de “Wearable” pensando para manter uma pessoa viva no ambiente mais inóspito possível, gerando um “micro ecossistema” unindo humano + natureza de uma forma nunca vista.

 

Camila Tabachi, gerente executiva da ABEDESIGN

Camila destacou as experiências proporcionadas pelas marcas, que criam grandes momentos de interatividade:

1)     The New Japan Iland: uma experiência imersiva que explora e retrata visões e paisagens do futuro com base na cultura e nas visões do Japão. Esta iniciativa foi trazida pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI), indústrias, artistas, acadêmicos e intelectuais do Japão.

2. Sony Wow Studio, um espaço com a provocação “A tecnologia irá enriquecer a criatividade humana?”, no qual o destaque foram robôs de cachorros

3) Twitter fez uma exposição com as frases mais icônicas do presidente Donald Trump, com curadorias de comediantes.

4) Bikes elétricas e patinetes foram disponibilizadas por de marcas como Lime, Bird, Jump e Lyft.

 

Alexandre Paranaguá, Design de serviços na Fjord – As tendências que vão impactar os negócios

 

A Fjord, consultoria de design, apresentou o resultado de sua pesquisa e análise das principais tendências que impactarão os negócios e a sociedade. Alexandre Paranaguá, design de serviços da consultoria, apresentou três delas:

1- Minimalismo digital

Com o acesso a internet, os problemas emocionas que as tecnologias causam nas pessoas estão aumentando cada vez mais. Stress, ansiedade, depressão são alguns dos problemas que o excesso de digitalização causa nas pessoas. Diante disso, surge a necessidade do design criar novas iterações e produtos que ajudem as pessoas a lidarem com este excesso.

2- Mundo Fígital

As experiências físicas ainda são valorizadas, mas elas devem ser suportadas por tecnologias pra criarem novas experiência. Aqui no Brasil, o maior exemplo de aplicação desta prática é a Amaro, que possui lojas físicas para as pessoas experimentarem as roupas, mas as vendas são feitas on-line.

3- Realidades Sintéticas

Estamos na era da distorção da realidade, onde temos tecnologias e ferramentas para criar novas existências. As próprias notícias não são mais tão críveis. Por outro lado, podemos usar isso a nosso favor: criando cenários para causar reflexão e testando e simulando opções para escolher qual caminho queremos seguir.

Camilo Barros – co-fundador do Hub São Paulo – Humanidade 5.0

Camilo levantou assuntos relacionados à Humanidade 5.0. Tudo isso baseado em sua percepção que o recado principal do evento foi que a tendência é: mais humano, menos tecnologia. Tudo isso é um resgate da humanidade, de empatia e de uma necessidade de mudança no ambiente de trabalho.

Segundo Camilo, desta vez os grandes destaques do evento não foram as celebridades, mas grandes mulheres atuantes no mercado e na sociedade. Foram elas:

Esther Perel, psicoterapeuta belga especialista em casais e consultora de empresas, que falou sobre a importância da inteligência emocional e do cuidado com a vida pessoal: “A qualidade de vida está relacionada à qualidade de seus relacionamentos, tanto em casa quanto no trabalho”, disse Esther.

Cassie Kozyrkov , Google Chief dacDecision Scientist,  falou sobre o tema “Como Construir um futuro brilhante da IA ”. Segundo ela, o foco é construir inteligências artificiais a favor dos humanos, amenizando o medo que algumas pessoas têm dessa tecnologia.

Bozana Saint John, ex-diretora da Uber: “não adianta falarmos de diversidade se não partirmos para a ação”.

Além delas, outras falas de maiores repercussão foram da Susan Fawler, ex-funcionária da Google que denunciou assédio sofrido dentro da companhia e desde então vem atuando na causa de como empresas tratam assédio e Alexandra Cortez, política e ativista americana que trouxe uma perspectiva otimista sobre as tecnologias no mercado de trabalho.

Patricia Piana, planner na agência Ponto Design

Patrícia focou nos principais relatórios de tendência, e selecionou 3 criadores de futuro:

Amy Web – futurista quântica trouxe um relatório composto por 300 tendências, divididas em cenários otimistas, neutros e catastróficos da tecnologia, e terminou a palestra nos lembrando que fazer um cenário bom virar realidade só depende do nosso trabalho, colaboração e flexibilidade.

Para saber mais, você pode acessar aqui o report que ela disponibiliza pra quem quiser usar.

Rohit Bhargava, diretor da Non-Obvious, falou sobre 7 tendências não óbvias que vão mudar o futuro, dentre elas: sem gênero (marcas abandonando o conceito binário), Indignação Manipulada (mídia criando fluxos de ruído que geram raiva) e da confiança retrô (um sentimento de nostalgia). Confira aqui o relatório.

John Maeda, chef da Automatic, apresentou seu relatório de design in tech e fez a declaração que gerou algumas polêmicas: o papel do design não é ser o ator principal, mas sim o coadjuvante. E isso não o faz ser menos importante: se olharmos os filmes, o ator principal não existiria se não houvessem as participações atuando para que a história flua.

 

Natália de Almeida Figueiredo

Jornalista de formação, produtora de conteúdo na Echos e produtora cultural no Coletivo Nóz. Possui pós graduação de Gestão de Projetos Culturais e especialista em formação em Design Thinking. Apaixonada por música, educação e ativismo social.

Esqueceu a senha? Clique aqui para resetar.