Reuniões vem sendo estigmatizadas e cada vez mais temidas pelas pessoas. Vivemos uma cultura de excesso de bloqueios que simplesmente aparecem em nossas agendas sem critérios, ocupando espaços preciosos para demandar uma energia vital que poderia ser dedicada a um trabalho mais efetivo. Mas será que existe um modo de direcionar melhor o tempo “gasto” em reuniões para conferir mais qualidade e significado ao nosso trabalho?

Recentemente li um artigo bastante provocativo da Elizabeth Ayer no Medium em que ela nos convidava a pensar. O material questiona se o único trabalho que importa em uma economia do conhecimento como a que vivemos hoje, acontecer apenas quando estivermos juntos? Ela me captou! Percebi que precisamos redesenhar o modo como nos reunimos e ressignificar o sentido que damos aos nossos momentos juntos.

Reunir pessoas em um formato de reunião projetado para controle e produção é bastante degenerativo. Um desperdício de tempo (=dinheiro) e energia que subestima nossa capacidade criativa humana. Isso, porque, uma vez conectada em torno de um propósito comum pode alcançar níveis altíssimos de produtividade. Mas como criar uma real conexão entre as pessoas e o resultado que esperamos alcançar enquanto grupo interessado na mudança?

Reuniões são experiências e podem ser desenhadas!

Como Peter Drucker cunhou em 1966, nós somos profissionais do conhecimento e o mais importante trabalho das organizações desta era está centrado em uma boa tomada de decisão. Ele explica que em vez de fazer as coisas do jeito certo, devemos saber como fazer as coisas certas, ou seja, aquilo que importa.

Como desenvolver práticas para melhorar nossas formas de conhecimento?

Aristóteles apresenta este conceito que e está diretamente relacionado a um ambiente de trabalho saudável. Por isso, é considerado um sistema que funciona bem e alcança um nível de criatividade coletiva, que seria impossível alcançar individualmente.

E se as reuniões forem a coisa mais importante a se fazer?

Para encaixar estes conceitos nas estruturas corporativas existentes e manifestar intencionalidade em nosso trabalho criando algo realmente novo. Dessa forma, é preciso aprender a abraçar o caos e a ambiguidade que significa trabalhar juntos. Este caos é o prelúdio da inovação. 

Trabalhar com a emergência é uma habilidade da liderança que usa abordagens participativas para lidar com a complexidade.  Dessa forma, gera clareza de intencionalidade, acolhimento de diferentes perspectivas e conexão entre as pessoas a partir de uma nova definição dessas estruturas. 

Como profissionais do conhecimento, integrar nossas perspectivas e necessidades talvez seja a única chance de fazer algo novo e melhor do que qualquer coisa que existia antes. 

E essa é uma das grandes contribuições do design thinking: fazer com que as pessoas construam umas com as ideias das outras. Sendo assim, práticas, métodos e ferramentas aplicam essa abordagem na facilitação de reuniões e projetos que desafiam o modo como fomos ensinados. Em um modelo competitivo, construir junto gera muitos conflitos. Cada um traz sua ideia com a tendência de querer vencer, e o design thinking propõe outro modelo. Não é um ou outro. É um e o outro. 

E aí? Como você vivencia os desafios que trouxemos aqui?

Acompanhe nossa série para conhecer a nossa abordagem de facilitação pelo design.

Fonte: 

https://medium.com/@ElizAyer/meetings-are-the-work-9e429dde6aa3

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