Quem busca um excelente futuro profissional normalmente se interessa pelas tendências e desafios da sua área de atuação. No caso do designer UX, a acessibilidade digital é um tema fundamental para estar atualizado e atender às novas exigências do mercado.

No Brasil, existem mais de 45 milhões de pessoas com deficiência. Porém, menos de 1% dos sites nacionais segue todos os padrões necessários para incluir os diferentes usuários. Portanto, há um grande trabalho a ser feito, e a UX design precisa cada vez mais estar atenta à inclusão no mundo virtual.

Logo abaixo, explicamos os principais conceitos relacionados à acessibilidade digital e como ela deve ser encarada pelos profissionais. Você está preparado para esse desafio? Continue a leitura e tire suas dúvidas sobre o tema!

O que é acessibilidade digital?

A definição completa e atualizada de acessibilidade é trazida pela Lei de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Em seu artigo 3º, III, o conceito é descrito assim:

possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.

Em relação à acessibilidade digital, o ponto mais importante do conceito é poder e ter condições de alcance parar utilizar os sistemas digitais e de tecnologia da informação. Nesse uso, os especialistas devem eliminar barreiras que prejudiquem a interação segura e autônoma com os sites, portais, plataformas, softwares etc.

Embora a inclusão esteja frequentemente ligada à pessoa com deficiência, também devemos nos preocupar com outras barreiras. Afinal, questões sociais, culturais e educacionais também podem tornar a experiência do usuário menos acessível.

A legislação se preocupa, ainda, com as barreiras atitudinais. Essas seriam os comportamentos, atitudes e vieses prejudicias à participação em igualdade de condições por todas as pessoas.

Legislação sobre acessibilidade digital

O tema já conta com diversas leis e decretos para promover a inclusão das pessoas. A mais recente, como citamos acima, é a Lei de Inclusão da Pessoa com Deficiência — que é um estatuto com as diretrizes gerais sobre a participação da pessoa com deficiência na sociedade.

Acima de todas as leis, temos a Constituição Federal de 1998, que traz o princípio de respeito à dignidade humana. Além disso, nossa regulação mais importante tem o objetivo fundamental de construir uma sociedade livre, justa e solidária.

Na Constituição, vemos ainda os poderes de estados, municípios e União. Entre eles, os governos podem criar normas sobre proteção e integração social das pessoas com deficiência. Tais poderes deram origem a diferentes estatutos, que, gradativamente, ampliaram as exigências de acessibilidade em ambientes físicos e digitais.

Entre as leis mais relevantes, temos os seguintes exemplos:

  • Lei nº 10.048/2000 — define os critérios de prioridade no atendimento de idosos, obesos, pessoas com deficiência, gestantes etc.;
  • Lei nº 10.098/2000 — fixa diretrizes de promoção da acessibilidade e, entre outros temas, já naquela época se preocupa com os sistemas de comunicação e sinalização;
  • Decreto nº 5.294/2004 — acrescenta informações indispensáveis para o cumprimento das leis de acessibilidade, prioridade no atendimento, entre outras;
  • Lei nº 12.527/2011 — regulamenta o acesso à informação, impondo critérios de acessibilidade aos portais de transparências e sites governamentais.

Um ponto importante é que, como a acessibilidade digital exige adaptações dos sites e páginas, houve a necessidade de criar padrões WEB. Tais normas são fixadas pela W3C, que é um consórcio de 450 países com o intuito de criar os padrões da World Wide Web.

Qual a relação entre acessibilidade digital e UX design?

A acessibilidade digital é um dos requisitos para o UX design. Ao cuidar da interação com serviços, produtos e sistemas, devemos garantir a igualdade de condições entre todos: pessoas com deficiência, idosos, indivíduos com baixa escolaridade etc.

Os padrões WEB de acessibilidade se tornam requisitos do trabalho do profissional. Ao finalizar uma solução, comparamos o projeto entregue com as melhores práticas, verificando o gap entre o desempenho esperado e realizado, em termos de UX.

Logo, ao lado dos princípios de UX, devemos seguir as diretrizes da W3C:

  • perceptível — informações e elementos aplicados de maneira que o usuário consiga percebê-los na página;
  • operável — possibilidade de utilização dos elementos e informações;
  • compreensível — condições para que o usuário consiga entender informações e elementos;
  • robusto — conteúdo suficiente para ser entendido por diferentes agentes e dispositivos de assistência;
  • conforme — adequação a padrões uniformizados.

A legislação e as diretrizes são um campo de estudos do designer UX. Para estar atualizado, o profissional precisa conhecer o tema, a fim de ficar em dia com os desafios atuais do mercado.

Ferramentas de acessibilidade

Um bom exemplo de como aplicar os conceitos mencionados são as ferramentas de acessibilidade. O princípio por trás desse recurso é permitir a compreensão por um único sentido, como a leitura em voz alta para deficientes visuais ou a transcrição de vídeos e áudios para os surdos.

Língua Brasileira de Sinais (Libras)

Outro recurso interessante, além do tradicional vídeo com o intérprete de Libras, são os aplicativos de tradução, que podem ser integrados à página, como VLibras e Hand Talks. Neles, abre-se um quadro lateral em que, ao passar o mouse sobre a palavra, uma animação mostra a informação corresponde na língua de sinais.

Mudanças em códigos de programação

Os conceitos são aplicados também quando usamos códigos de programação que sejam facilmente interpretados pelos recursos de acessibilidade do usuário. Por exemplo, um deficiente visual pode utilizar um software de leitura em voz alta, que precisa compreender o conteúdo da página.

Normalmente, a uniformização é realizada ao entregarmos um código nos padrões definidos pela W3C para HTML e CSS. Além disso, podemos usar os metadados para indicar diferentes versões de uma página ou conteúdo dentro do site.

Adaptação do conteúdo

O conteúdo digital também pode ser adaptado para reduzir barreiras. Provavelmente, você já deve ter visto alguns desses recursos em sites:

  • alto contrataste;
  • mudança no tamanho da fonte;
  • adaptação da página a diferentes níveis de zoom.
  • dentificação do idioma nativo da página para softwares de voz e tradutores de texto.

No site do Prêmio Acessibilidade WEB, você encontra páginas premiadas, que trazem muitos os recursos mencionados. Logo, permitem enxergar as ferramentas em funcionamento.

Como o designer UX contribui para a acessibilidade digital na prática?

homem usando o notebook, pensando em criar um ambiente virtual com acessibilidade digital

Agora que já trouxemos as informações essenciais sobre acessibilidade digital, podemos olhar o papel do designer UX. Entre outras, ações que contribuem para a inclusão das pessoas são as seguintes.

Conheça as normas e diretrizes

A padronização é uma questão muito importante. Dificilmente haveria acessibilidade se cada site aplicasse os conceitos de uma forma diferente, Afinal, o usuário teria de aprender as práticas de cada sistema, produto ou serviço individualmente. Logo, a primeira contribuição é buscar informações e conhecer as diretrizes.

Pense a acessibilidade na concepção do projeto

Outro cuidado importante é que a acessibilidade digital seja integrada de maneira orgânica à concepção do projeto. Assim, desde o início, o sistema, produto ou serviço será pensado para atender a todas as pessoas, em vez de precisar ser portado para as novas diretrizes depois de finalizado.

Mapeie a jornada do usuário

Procure também entender os momentos críticos da experiência do usuário, a fim de priorizar as ações com maior impacto. Até porque, existem diferentes níveis de acessibilidade, variando os recursos disponibilizados na página.

Colha feedbacks com o público-alvo

Lembre-se, ainda, de que pode ser difícil se colocar totalmente na posição do usuário do serviço, embora a empatia seja uma ferramenta fundamental. O ideal é usar a experimentação e ouvir o feedback das pessoas, promovendo a evolução contínua das soluções web.

Viu só? O designer UX é fundamental para facilitar a inclusão e democratizar a internet. Esse especialista está na linha de frente, usando de seus conhecimentos para entregar sites, plataformas, portais etc. dentro dos padrões de acessibilidade digital. Logo, se estiver atualizado, terá boas oportunidades nas empresas.

Para aprofundar seus conhecimentos sobre UX design, confira nosso artigo sobre a jornada do usuário ux e complemente a sua leitura!

Echos Bittencourt

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