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A edição de agosto de 2020 de nosso podcast traz uma conversa entre Juliana Proserpio e Felix Lee, designer, inovador e cofundador da iniciativa sem fins lucrativos ADPList (Amazing Design People List). Felix tem ampla experiência no ecossistema de startups como designer de produto. Trabalhou com clientes do mundo todo, tais como Gotrade, Capture, Eatsy e Knowledgehook. Ele também é o cofundador da Packdat e liderou a equipe de design da Passpod.

A entrevista conta como a pandemia inspirou Felix a criar a plataforma ADPList a fim de ajudar designers que perderam seus empregos a se conectar com outros profissionais da área no mundo todo para encontrar orientação, colaboração e emprego. A conversa também aborda a inspiração por trás da ADPList, a crescente influência intercultural do design, como usar o design para fazer o bem e, por fim, mas não menos importante, como deixar de ser somente um bom designer para se tornar um grande designer.

Fundando a ADPList

Felix Lee fundou a ADPList junto com James Baduor, da África Ocidental, para ajudar designers do mundo todo que estavam perdendo seus empregos devido à crise causada pela pandemia. O ADPList é uma comunidade global com 400 mentores de design e mais de 6,6 mil designers na plataforma. Designers e mentores se reúnem para ajudar uns aos outros a encontrar empregos, oferecer análises de portfólio e colaboração em projetos.

Felix explica: “Como designers, costumamos falar sobre resolução de problemas, certo? Quando há um problema, como uma pandemia, não vamos dizer: não somos cientistas, não somos médicos, não podemos fazer nada. Como designers, temos a responsabilidade de pensar: que acesso temos com as nossas redes, que tipo de influência eu tenho? O que posso fazer para ajudar a fazer deste mundo um lugar melhor?”

Felix começou seu projeto criando uma planilha na qual as pessoas poderiam se adicionar conforme estivessem disponíveis para trabalho. A planilha do Excel foi transformada em um site. A comunidade no site começou a interagir tanto que passou a realizar sessões no Zoom chamadas de ‘Coffee Hours’ para bate-papos e suporte comunitários.

“Aprendi que os seres humanos são fundamentalmente bons”, diz Felix. “Há pessoas incríveis que nos procuram e querem ser mentores. Eles querem abrir mão de seu tempo para ajudar os outros. E é super inspirador. A primeira coisa que aprendi é que as pessoas são realmente boas em ajudar e acho que nós, seres humanos, quando nos unimos, somos todos melhores.”

Trabalho remoto funciona

A equipe que administra a ADPList é totalmente remota. Há seis pessoas na equipe que são de Singapura, Gana, África Ocidental, Canadá e São Francisco. As pessoas que trabalham incansavelmente para manter a comunidade nunca se encontraram pessoalmente. Isso é uma prova de que o trabalho remoto funciona.

Além do fato de a equipe ser remota, muitas colaborações que acontecem por meio da plataforma ADPList são totalmente remotas. O trabalho remoto chegou para ficar, e agora existe uma mudança no sentido de contratar pessoas para trabalharem remotamente por meio da plataforma. Antes da pandemia, a liberdade de contratar pessoas de qualquer lugar do mundo não era tão comum.

Agora, com o trabalho remoto e as plataformas globais, isso está mudando. A maneira como os designers se conhecem e a forma como as pessoas estão contratando estão sendo transformadas pela conexão online. E isso só vai fortalecer a comunidade do design, pois as ideias e informações fluem livremente em uma comunidade global. E o mais importante, isso está melhorando a qualidade do trabalho dos designers no mundo todo, uma vez que as pessoas aprendem umas com as outras.

A Influência de Singapura nas tendências de design

Felix Lee é de Singapura, país que ele acredita estar em uma posição única devido à sua sociedade multirracial e multirreligiosa. Embora possua uma população pequena, o país tem uma posição única por estar em meio a muitas nações do sudeste asiático, tendo acesso a diversos mercados asiáticos e conectando-os ao resto do mundo.

Singapura não é apenas uma mistura de culturas que vivem na interseção de muitos países asiáticos, mas também uma combinação única de influências dos EUA e da China. A mistura dessas duas potências culturais e de design dá aos produtos e à inovação em Singapura uma mistura única.

Felix observou que, em Singapura, “nós adotamos o design clean do mercado ocidental e a forma como os chineses criam seus super aplicativos e os combinamos. Isso é típico de Singapura, mas não apenas de Singapura, e sim do Sudeste Asiático. Tailândia, Indonésia, todos nós estamos aprendendo tanto com os ocidentais quanto com os chineses.”

Isso ocorre porque empresas como a Tencent e a Alibaba influenciam a maneira como os aplicativos são desenvolvidos. Por exemplo, em Singapura, o uso de QR codes e os recursos de super aplicativos são influenciados pela China. Mas, estilisticamente, a aparência dos apps é muito influenciada pelo design norte-americano, com muito espaço negativo e interações altamente refinadas. Isso coloca Singapura em uma posição muito especial, pois aprende com os dois lados: com a China, por ser geograficamente próxima, e com os Estados Unidos, por ser próximo em um sentido ideológico. É uma posição muito especial, com uma mistura de culturas diferentes que aprendem com os ecossistemas chinês e estadunidense.

Tornando-se um designer melhor

A melhor maneira de se tornar um designer melhor é entender por que você quer ser designer. Felix descreve isso como ter uma vocação, tal como projetar um mundo melhor para o resto da humanidade. Felix vê Nelson Mandela como um exemplo perfeito do que significa ter uma vocação. Ele ficou na prisão por 27 anos e, quando saiu, ainda acreditava na mesma causa de 27 anos antes. Apesar de tudo pelo que passou, ele tinha uma causa justa, então, quando saiu da prisão, estava pronto para começar a trabalhar pela mudança.

“Quantos designers ficariam 27 anos na prisão, sairiam e diriam que gostariam de projetar um mundo melhor?”, pergunta Felix.

O design na maioria dos mercados no mundo amadureceu. E isso significa que os designers estão se esforçando para melhorar suas habilidades. Em seu trabalho, frequentemente perguntam a Felix não apenas o que torna alguém um bom designer, mas também o que torna alguém um grande designer. Felix afirma que a diferença não está apenas na forma de executar projetos, mas no timing envolvido no processo de tomada de decisão. Um bom designer é definido pela forma como mensura os trade-offs. Por exemplo, pode haver duas versões de um design que funcionem bem. Mas, em cada opção, coisas diferentes devem ser sacrificadas. Um bom designer sabe como mensurar os trade-offs certos no momento certo. E um grande designer sabe não apenas o que deixar de lado, mas também o momento perfeito para executar os trade-offs.

Ouça mais

A entrevista completa está disponível no Spotify. Convidamos você a ouvir mais sobre Felix Lee e a ADPList. Felix se aprofunda em seus pensamentos sobre liderança em design como sendo a próxima etapa da evolução nesta carreira, e como essa indústria está evoluindo no mundo todo. Felix também fala sobre seu trabalho humanitário: “Você tem a intenção de dizer: ok, eu quero ser designer porque quero criar um mundo melhor para o resto da humanidade. Primeiro, você precisa ter essa intenção para criar o bem no mundo.”

Felix certamente está ajudando sua indústria e estamos ansiosos para segui-lo em sua jornada com a ADPList e em muito mais. Ouça o episódio completo aqui.

 

Echos

Designing Desirable Futures.

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