Tendências de Trabalho Remoto: Projetando a Nova Realidade! - Escola Design Thinking

 

Uma mudança sistêmica é aquela que afeta como o funcionamento de um sistema como um todo. Nós estamos experienciando vários níveis de mudança sistêmica social graças ao COVID – 19. Um dos maiores sistemas que estamos reavaliando é como negócios funcionam e como nós trabalhamos neles como líderes e colaboradores. Com organizações e times inteiros trabalhando remotamente, muitos pela primeira vez, novas tendências estão emergindo. 

Antes de aprofundarmos nessas novas tendências, é importante apontar como fomos capazes de identificá-las. Estamos experienciando uma visão de retrospectiva. Fomos forçados a deixar nosso sistema operacional anterior e agora somos capazes de enxergá-lo de fora. Para muitos de nós, uma rotina de trabalho das 9h às 17h onde vamos todos os dias para o escritório e trabalhamos o dia inteiro em nossas mesas é parte inquestionável do trabalho. Fomos criados nossas vidas inteiras nesse sistema. Acreditamos ser crítico performar no local de trabalho. 

Agora que deixamos esse sistema, permitimos que duas coisas acontecessem. A primeira é que podemos ver o sistema claramente. É muito difícil visualizar algo quando se está inserido nele, é preciso sair para enxergar de fora. E agora que não estamos mais imersos em nossas rotinas, estamos avaliando o sistema como um todo.

A segunda é que criamos a oportunidade de testar nossas premissas. Acreditamos que o espaço físico do escritório era necessário para sermos produtivos, e agora ele foi removido do nosso cotidiano. Isso nos forçou a testar nossas suposições sobre o que precisamos para alcançar nossos objetivos e criar valor para nossas organizações.

O sistema anterior era o que aceitamos como nossa realidade. Agora criamos um novo sistema. Temos à frente uma grande oportunidade de criar uma nova realidade. Uma que funciona melhor para nós, nossas famílias e como definimos valor no local de trabalho. Tendemos a nos acostumar com padrões e não questionar as premissas incorporadas nos sistemas que criamos. Agora que estamos fora do sistema, a habilidade de vê-lo é poderosa. Isso irá nos ajudar a projetar sistemas que intencionalmente refletem o que desejamos. A oportunidade de criar nosso próximo sistema de espaço de trabalho está logo ali. Nunca estivemos em uma situação melhor para gerar mudança sistêmica!

O que queremos mudar, agora que estamos fora do sistema?

Aqui estão três tendências emergentes que acreditamos que irão mudar como o mundo do trabalho vai funcionar no futuro. 

Questionando o 9-5

Uma tendência emergente na cultura do trabalho é que a jornada das 9-17h está perdendo relevância. Herança da era industrial, um mundo que não vivemos mais. Porque devemos continuar a organizar nossos horários de trabalho ao redor de um sistema que não existe mais? O trabalho remoto traz consigo mais flexibilidade no número de horas que uma pessoa trabalha e quando o faz. Sem as restrições de um dia típico, algumas pessoas estão acordando cedo e executando seu melhor trabalho antes das 9h. Outros acham que trabalhar à noite combina melhor com eles. Para muitos, essa flexibilidade ajuda-os a trabalhar quando são mais produtivos e assim passar tempo com a família ou deixar um tempo para si durante o dia. A divisão do horário fica a cargo do indivíduo decidir baseado no que funciona melhor para ele.

O Aspecto Social

Enquanto o ‘como’ trabalhamos está mudando, é importante notar que o ‘porque’ também está seguindo esse caminho. A ausência do trabalho com colegas no escritório está destacando a importância de uma socialização casual no trabalho.

Em nosso sistema anterior, nós definimos o trabalho como um lugar para ser produtivo, para alcançar e encontrar sucesso. Com o trabalho remoto, muitos de nós estão percebendo que ainda podemos atingir esses objetivos de casa. Estamos entendendo a importância do aspecto social para a vida de trabalho. Trabalhamos para e com pessoas e interagir em um nível humano é importante de maneiras que nunca apreciamos antes. 

Desejamos conversas que nos inspiram, que nos unam para que possamos crescer e aprender. Isso destaca porque organizações como Airbnb, Google e Apple chamam seus espaços de trabalho de ‘campus’. Essa palavra evoca uma atmosfera de aprender e trabalhar em ambiente colaborativo encontrada em escolas ou universidades. Um espaço de trabalho com aspecto social é tão importante quanto o trabalho em si. Podemos descobrir os espaços físicos de trabalho passarão de locais de disciplina e estrutura para lugares de sociabilidade e crescimento. 

Medindo Produtividade, Isso Importa?

Algumas pessoas estão descobrindo que estão trabalhando mais, outras que estão trabalhando menos. Gestores e líderes dentro de organizações podem sentir como se estivesse sempre ativos, incapazes de desconectar. Outros podem estar se sentindo mais produtivos, e que estão terminando seu trabalho mais rápido. Essa mudança em aumento da produtividade pode significar a criação de mais micro funções com mais tarefas de nicho e foco ao invés de posições com foco macro onde a ênfase está em fazer mais em detrimento da eficiência.

Líderes Possuem A Escolha

Como líderes, nós temos escolhas a fazer sobre o que queremos levar adiante no ‘novo normal’, o que quer que ele seja. Cada um de nós possui muitas escolhas para criá-lo através de nossas ações. O que iremos manter e o que iremos deixar para trás?

O futuro é um reflexo do nosso presente. Assim que possível precisamos começar a criar um novo sistema de trabalho. Um sistema que vai funcionar para nós. E isso é feito a partir das decisões que tomamos agora no nosso dia a dia, não depois em alguma linha do tempo imaginária. O que precisamos fazer agora para criar nosso futuro coletivo?

Esse futuro está sendo atualizado dia a dia. Ele é manifestado através de novas realidades formadas pelos nossos sistemas, pares, colaboradores, times e líderes. Ele depende da realidade que você deseja, estamos criando esse futuro juntos!

Ricardo Ruffo

Além de especialista em inovação, Ricardo Ruffo é sócio-fundador de diversas iniciativas. A mais conhecida delas é a Echos, um laboratório de inovação que tem por objetivo formar a nova geração de inovadores e inovações no Brasil por meio dos negócios e da inovação, oferecendo consultoria em projetos dessa magnitude, e processos de aprendizagem e educação. Ricardo também é cofundador e professor na Escola Design Thinking, que tem por objetivo formar a nova geração de inovadores no Brasil por meio da experiência prática. É consultor e palestrante de assuntos ligados a inovação, empreendedorismo, abundância, e inovação social.

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