Sabe quando assistíamos os Jetsons e imaginávamos que aquela realidade de robôs se relacionando com os humanos não seria vivida por nós? Pois essa realidade está cada vez mais próxima. Robôs de limpeza, robôs que nos ajudam na organização e até robôs que escrevem filmes já são realidades em nossa sociedade.

Um exemplo disso é o Google Home, lançado em 2016. O aparelho se parece com uma caixa de som elíptica.  A diferença de uma caixa de som convencional é que há nele um sistema para controlar o entretenimento da casa, ajudar na organização das tarefas do dia a dia e também para fazer consultas no Google.  Basicamente, o aparelho conversa com você e obedece seus comandos de tocar música, fazer uma busca, agendar um compromisso, entre outras funcionalidades. O dispositivo identifica ainda diferentes vozes para não misturar dados das pessoas da casa, e se conecta com outros aparelhos do ambiente, identificados via Wi-Fi.

Pensando nisso, convidamos uma super parceira, Matina Moreira, service designer há 17 anos, para compartilhar conosco as suas impressões sobre a usabilidade desse dispositivo! Confira abaixo o artigo, publicado originalmente em seu canal no médium.

Não resisti a tentação e na última black friday e comprei um Google Home.

Como sou designer precisava vivenciar ter um dispositivo exclusivo de interação por voz, estava com um bom desconto e bla, bla, bla…. mil motivos, mas na veradade eu estava mesmo era curiosa e aceitei pagar o preço pra ver como era ter um bichinho desses em casa.

Google Home na minha sala tentando fazer novos amigos

Mas antes de falar dele vale um disclaimer: eu sou dessas pessoas que adora rádio, quando morava no Brasil eu adorava ouvir o jornalista Ricardo Boecha enquanto dirigia para o trabalho. Eu tinha altos papos com ele, concordava, discordava, brigava e até já chorei conversando com ele.

Muita gente chega em casa e liga a TV só pra ter aquele barulho e parecer que a casa está cheia. Eu, quando era solteira gostava mesmo era de ligar o rádio e ouvir entre uma música e outra, uma notícia.

Sei que esse meu gosto peculiar não representa a maioria das pessoas, mas tudo isso pra dizer que eu sempre fui fã de interfaces de sons, mesmo quando elas não respondiam pra mim. Ou seja, tinha grande potencial para eu amar o Google Home.

Minha paixão tem uma explicação: quando você liga a TV mesmo que seja só pra ouvir as notícias, em algum momento acaba parando para dar uma espadinha e então caí na tentação, ficando uns minutos jiboiando no sofá. O rádio, por ser uma experiência exclusivamente sonora, me possibilita fazer outras coisas sem ficar com aquele gostinho de que eu quero parar para ver algo.

O áudio, muitas vezes, é companheiro de muitas outras atividades. É um coadjuvante das nossas vidas.

Qualquer dispositivo que tenha interação por voz traz a grande vantagem de permitir que você faça mais de uma atividade ao mesmo tempo. Ele pode ser a companhia perfeita para diversas atividades práticas como: dirigir, lavar louça, limpar a casa, se arrumar, escovar os dentes, cozinhar. Todas elas demandam atenção quase que exclusiva, mas sempre dá pra bater um papo em paralelo.

Hoje (quase) ninguém tem mais rádio em casa e minha vida mudou tanto que não tenho mais como ouvir o rádio sossegada. Tenho uma filha de 3 anos, a Lara, que adora música assim como muitas meninas da idade dela. É muito comum os pais, assim como eu, deixarem as crianças vendo alguns videos de música no tablet. Por esse motivo, toda vez que toca uma música ela diz “eu quero ver!”. Pra ela a imagem e o som andam sempre juntas.

O Google chegou em casa faz poucos dias, mas já deu pra sentir a que veio.

O que mais estou gostando:

  • Super, mega, hiper simples de usar pela primeira vez. Tirei da caixa, coloquei na tomada, baixei o app, sincronizou em 1 minuto com minha conta do gmail e estava pronto pra usar;
  • A Lara (3 anos) consegue pedir as músicas favoritas ❤, amigável para todas as gerações;
  • Depois de alguns dias a Lara parou de pedir pra ver a música e já entendeu que audio é só pra ouvir. Na prática isso significa que ela fica menos tempo na frente do tablet feito uma zumbizinha e agora ela fica na mesa desenhando e ouvindo música ou ainda dançando na sala;
  • Tenho gostado de usar ele de manha para perguntar sobre a previsão do tempo para o dia de hoje enquanto eu troco de roupa, podendo escolher melhor o que vou vestir; também pergunto sobre minha agenda do dia enquanto estou me arrumando e aproveito pra pedir alguma música.

O que tem me incomodado:

  • Já estou de saco cheio de falar “OK, Google” para qualquer interação, é muita lavagem cerebral falar o nome de uma marca o tempo todo. Nesse sentido a Alexa (da Amazon) é mais amigável.
  • Tanto no Google Home quanto na Alexa a forma como o usuário faz a pergunta é sempre muito direta. Mesmo que os dois dispositivos tentem responder de forma mais amigável possível dizendo sempre “Sorry” ou um tom de voz amável, a forma como o usuário fala deve ser meio dura. Em uma visita na casa de uma amiga que tem a Alexa eu fiquei testando e falava o tempo todo “por favor” no final da sentença, até que a minha amiga disse “pára com isso. Ela não entende. Você tem que mandar ela fazer algo!” 🙁 
    Isso me pareceu tão estranho. Como assim!? Eu tenho um trabalho do cão para ensinar minha filha a ser educada e os novos dispositivos vão tirar toda a educação do nosso vocabulário???
    Você vai dizer que eu estou exagerando, mas depois que passarmos a interagir de uma nova forma com o dispositivo é comum replicarmos o mesmo mecanismo em outro lugares. Quantas vezes você já achou que algo era touch screen só porque o celular que você usa o tempo todo tem esse tipo de interação?

Tirando o ponto da educação e alguns bugs, no geral estamos (eu e a Lara) gostando da experiência. É como falar com o rádio e ser correspondido! ❤

 

Matina Moreira

Matina Moreira é designer de coração e de formação. Iniciou a carreira no mundo digital há mais 17 anos como arquiteta de informação. Atuou em agencias, no portal UOL, foi especialista em design de serviço/UX nas equipes de Inovação do Banco Itaú e hoje atua como designer estratégica freelancer em Los Angeles.

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