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O paradoxo do mundo atual

O mundo de hoje abundante nos mostra com nitidez todos os problemas escancarados, mas ainda pouco é feito ou conhecido para solucioná-los. Construir um negócio que soluciona problemas sociais pode ser sua melhor estratégia para o futuro.

Durante muitos anos acreditou-se que o propósito de todos os negócios era exclusivamente gerar lucro. Esta máxima está sendo repetida exaustivamente deste do século XIX quando foi cunhada e se tornou quase uma verdade absoluta. Até o momento que alguém a percebeu como realidade imposta e decidiu transformá-la: o propósito dos negócios não é exclusivamente gerar lucro. Os negócios dependem intrinsicamente de lucro, ele é fundamental para a sua própria sustentabilidade, mas o lucro não é, e nem deve ser, a sua razão de existência.

O jogo que todo mundo ganha

É nesse contexto que a inovação social estabelece um novo paradigma no capitalismo, fazendo com que os negócios feitos por pessoas e para as pessoas se transformem em reais sistemas de troca, numa relação benéfica mútua, construindo soluções que respondam as necessidades sociais.

É aí que o jogo muda. O novo jogo significa que ganhar só é ganhar quando todos os atores do sistema ganham, um jogo onde ninguém tem que perder. É a lógica do frescobol ao invés da lógica do tênis. Uma lógica sustentável à longo prazo, a lógica de prosperidade do futuro.

Tênis e frescobol são jogos muito similares, só que no tênis você joga para o outro errar. A tua dor é o meu prazer. No frescobol é ao contrário: você só acerta se o outro acerta. Então eu levanto a bola para o outro acertar e devolver a bola para mim. Ou seja, o meu prazer é o seu prazer. Eu só posso acertar se você acertar e é essa lógica que nós estamos querendo trazer para o mundo.*

A inovação social é este novo jogo e está crescendo e ganhando cada vez mais força no Brasil e no mundo. A cada dia vemos mais negócios, movimentos e ações surgindo seguindo o conceito, como no caso do Catarse, Nossa SP, Meu Rio, Design Echos, Imagina na Copa, It’s Noon, Cria, Purpose, Festival de Ideias, GreenTee, Yunus Negócios Sociais Brasil, Dharma, Banco Pérola, Aoka, Instituto Tellus, Pimp my Carroça, Benfeitoria, Shoot The Shit, Nós Vc, Social Good, Muro dos Sonhos e entre muitos outros projetos, movimentos que surgiram nos últimos 5 a 10 anos no Brasil, mostrando a emergência do tema.

O Conceito

Isso não quer dizer que inovação social tenha se tornado um tema conhecido, muitas vezes até quem está fazendo inovação social não sabe caracterizá-la tal como. Inovação social ainda é um tema em crescimento e por isso não tem o seu conceito fechado.

Inovação social é algo bem simples, são novas soluções que respondem a necessidades nunca antes contempladas e que melhoram a vida das pessoas e, talvez por ser tão simples e óbvia, passe despercebida pelos olhos de muitos.

O grande impulso para a inovação é enxergar a lacuna entre o que existe e o que as pessoas realmente precisam. Para enxergar essa lacuna precisamos mudar o nosso modelo mental. Inovação social significa gerar impacto real e positivo por meio de soluções que transformam a realidade social de maneira inovadora e sustentável.

A grande diferença entre inovação social e outros tipos de inovação é que ela é baseada em valores sociais como fator primordial ao invés do lucro.** Isso não quer dizer que o lucro não pode estar no meio do “jogo”. Ele só não é mais o maior objetivo do negócio e talvez se posicione como um dos grandes fatores para que o negócio sobreviva e prospere.

O novo capitalismo

A inovação social pode transformar o capitalismo num capitalismo com propósito, consciente. Transformando os negócios em negócios prósperos, de valor e com futuro. Gerando dinâmicas entre diferentes setores e criando novas maneiras de gerar o valor social e o lucro. A inovação social nos mostra a emergência de uma nova economia, a economia social, que mistura alguns elementos antigos e muitos novos que acabam por reformular essa economia.

Para fazer tal transformação na economia e no modelo vigente de pensamento do capitalismo, acredita-se que já se possui todos os ingredientes necessários. Já temos o conhecimento, a tecnologia e propósito em abundância, o que precisamos fazer é simples: recombinar o que já existe, sem ter que necessariamente fazer uma grande revolução no sistema. Isso é inovação social.

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* Frase extraída de Joaquim Melo no filme “Quem Se Importa” de Mara Mourão Joaquim Melo é coordenador geral do Banco Palmas, um banco comunitário de desenvolvimento fundado em 1998 no Conjunto Palmeira, um bairro de periferia de Fortaleza. O Banco Palmas faz empréstimos a juros baixos aos moradores do bairro. Em 2012 já havia emprestado mais de 3,6 milhões em microcrédito, conforme o relatório anual de 2012 . O empréstimo é feito com uma moeda social, as Palmas, que tem o mesmo valor do real e só circulam no bairro para estimular a circulação de dinheiro na comunidade, aumentando os gastos e lucros no comércio local, fortalecendo a renda e gerando trabalho.

** Trecho traduzido livremente do artigo Big Society – Young Foundation

 

 

 

Juliana Proserpio

Juliana is the co-founder of Echos, an Innovation Lab, that is the mother company to the School of Design Thinking – a school that puts innovation in practice – and Echos Innovation Projects – a consultancy for service, business and systemic design. Over the last seven years, Juliana has worked to develop an innovation ecosystem in Australia and Brazil to foster the design of desirable futures and design thinking.

She has more than 10.000 hours working closely with clients on facilitation design, leading a diverse range of projects in industries such as healthcare, finance, education, retail, technology and consumer goods.

Juliana speaks on the power of design to create desirable futures. She spoke at events such as the Global Innovation Summit in San Jose, California, TEDxMaua in Sao Paulo, Brazil, What Design Can Do and the Sydney Design Festival. Juliana has been a judge at the first William Drenttel Award for Excellence in Design since 2015.

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