créditos: Enric Martinez no Flickr

Constantemente utilizamos os termos modelo mental ou abordagem para caracterizar o design thinking. Isso porque, a Echos acredita que uso do design thinking como apenas uma ferramenta representa apenas a superfície do poder do design na transformação e contextos. Utilizar o design thinking vai muito além de seguir um passo-a-passo, onde 1 mais 1 necessariamente representa 2.

Retomando o pensamento intuitivo, o design está se tornando uma nova forma de pensar na nossa sociedade exatamente porque nos conecta e nos faz acessar a complexidade dos sistemas em que vivemos. Hoje, pensar a partir de uma lógica linear não faz mais sentido, porque os problemas e negócios surgem e se expandem de maneira exponencial.

Nesse contexto, gostaríamos de compartilhar um texto bastante assertivo escrito por Carissa Carter, Diretora de Ensino e Aprendizagem da d.school em Stanford, que mostra porque a disciplina do design não acontece by the book como os americanos dizem. Se tornar um designer requer um conjunto de habilidades e principalmente de prática que precisamos urgentemente começar a desenvolver se queremos saber resolver os problemas do futuro.

Não deixe de conferir a baixo a versão em português do artigo publicado por Carissa em seu espaço no portal Medium:

Porém, antes de pensar sobre design, vamos falar sobre cozinhar.

Quando você aprende pela primeira vez a cozinhar algo, provavelmente irá seguir uma receita. Há uma quantidade prescrita de ingredientes a serem usados e as instruções sobre como combiná-los. Conforme vai melhorando, você vai substituindo os ingredientes, pára de medi-los e pré-aquece o forno sem pensar em uma temperatura específica.

Quando você fica realmente bom, passa a inventar suas próprias receitas conforme os ingredientes que tem disponível, algum novo ingrediente do seu interesse, as necessidades daqueles que irão também comer ou os vegetais que são da estação e etc.

A ordem e o processo de uma receita ajuda a novos cozinheiros a começarem, mas somente com a prática, inventividade, experimentação e restrições que você poderá começar a se considerar um chef de cozinha.

Vejo o design (thinking) da mesma forma. É um assunto de fácil acesso e magnético. No entanto, organizações que decidem incorporá-lo na sua cultura enfrentam dificuldade na adoção por causa de uma falta de compreensão fundamental sobre o rigor subjacente a este tema.

Pude acompanhar mais de 1000 estudantes da D. School no ano passado e sinto uma grande responsabilidade em oferecer uma educação em design adequada. Isso porque muitos dos nossos estudantes irão se graduar e ingressar em organizações que esperam deles a implementação de uma forma de trabalho que se baseia nos conceitos de design. Para as diversas empresas que procuram a d.school para formatar suas próprias metodologias, gostaria de oferecer uma reflexão pessoal.

Nossa pedagogia evoluiu até o momento para os 5 hexágonos:

Fromatação do Processo de Design Thinking elaborado pela d.school

O problema com os hexágonos é que eles ajudaram a formatar O processo de design (thinking), que pode soar grandioso e envolvente, mas que na verdade são apenas a primeira receita, uma sugestão sobre como podemos começar. Por trás dos hexágonos, há um conjunto de ferramentas iniciais para experimentação, sendo que em cada um deles está inserido um grupo de modelos mentais e comportamentos a serem incorporados e testados.

Enquanto pode ser útil oferecer aos estudantes uma experiência já formatada no primeiro encontro com o design, vejo que os nossos melhores facilitadores são aqueles capazes de criar ferramentas e arcos de experiências de acordo com a especificidade do projeto e os objetivos de aprendizado no momento.

Do processo para habilidade

Na d.school, fomentamos nossos alunos para que desenvolvam 8 habilidades de design essenciais para que possam não só desenvolver a própria confiança criativa como também inspirar outras pessoas a também assumir riscos, serem resilientes em projetos complexos ao longo de suas vidas. Queremos que nossos estudantes se tornem chefes de cozinhas únicos. Não queremos produzir indivíduos que apenas sabem seguir uma receita. Vocês se lembram quando o personagem Michael dirigiu em direção a um lago?

A partir de projetos práticos em nossos cursos baseados na aprendizagem experiencial, os estudantes ganham conhecimento nessas oito habilidades em razão da ampla variedade de ferramentas, métodos, projetos, modelos mentais, comportamentos, artefatos, etc:

Navegar na ambiguidade

Essa é a habilidade em reconhecer e permanecer no desconforto do desconhecido, e possuir táticas para sair dessa zona quando necessário.

O design está carregado de incerteza. Há competências importantes a serem aprendidas como estar presente no momento, olhar problemas sob novos ângulos e encontrar padrões na informação. Ambiguidade pode surgir em um projeto, em um processo, dentro de si mesmo, etc. É importante colocar os estudantes em situações ambíguas, bem como oferecer ferramentas para que possam lidar com elas.

Aprender a partir dos outros (pessoas e contextos)

Essa habilidade inclui a capacidade de empatizar com pessoas diferentes, testar novas ideias com elas, bem como observar e reparar em diferentes lugares e contextos.

Sintetizar informação

Essa é uma habilidade para dar sentido às informações e encontrar insights e oportunidades com elas. Dados podem vir de diferentes fontes e possui diferentes formatos, tanto os qualitativos quanto quantitativos. Essa habilidade querer competências em fazer recortes, mapas e pensamento abdutivo. Essa habilidade é difícil para estudantes mais inexperientes, demanda tempo e está relacionada a navegar ambiguidade.

Experimentar rapidamente

Essa habilidade se refere a ser capaz de rapidamente gerar ideias, quer sejam de forma escrita, desenhada ou construída. Brainstorming é uma ferramenta para essa habilidade. Trata-se de deixar a “fazeção” conduzir seu pensamento e suas mãos.

Para ser capaz de experimentar de forma rápida, é necessário ser capaz de relaxar sua mente em um modo de aceitação e criação, eliminando a tendência natural de bloquear as ideias que não parecem adequadas ou viáveis. Essa habilidade naturalmente se conecta com a de Aprender com os Outros.

Em muitas situações, você irá experimentar tanto ao gerar um fluxo de novos conceitos de baixa resolução quanto ao testar alguns desses conceitos com potenciais usuários.

Transitar entre o concreto e o abstrato

Essa habilidade está relacionada tanto a capacidade de compreender todos os atores envolvidos como ser capaz de dar um zoom e conseguir desenvolver funções e características de um produto.

Tudo está conectado. Quando estudantes estão construindo um novo conceito, quer seja um produto, um serviço, uma experiência ou qualquer outra coisa, eles precisam ser capazes de encaixar o conceito dentro de um ecossistema no qual está inserido. Nesse sentido, temos Ray e Charles Eames a agradecer por nos ajudar a preparar o cenário para essa habilidade, mas que também inclui a abstração para alcançar o significado, objetivos e princípios, como também ser capaz de definir detalhes de características.

Construir e aprimorar intencionalmente

Essa habilidade está relacionada a uma construção bem pensada e em mostrar o resultado no nível mais apropriado de resolução de acordo com a sua audiência e de feedback necessário.

Detalhes importam quando se está tentando trazer uma ideia à vida, não importa se o veículo seja uma cartolina, pixels ou texto. Além disso, existem muitas sub-disciplinas do design, sendo que cada uma possui seu próprio conjunto de ferramentas e técnicas.

Designers de UX possuem um conjunto específico de ferramentas para criar interfaces digitais centradas no ser humano. Arquitetos possuem um arsenal de técnicas para trazer novas estruturas ao mundo. Assim como qualquer outra disciplina como imunologia, macroeconomia, educação fundamental, etc. possui seus próprios métodos também. Essa habilidade requer uma sensibilidade para as ferramentas necessárias para se criar um belo trabalho no domínio no qual você está trabalhando.

Comunicação deliberada

Essa é a habilidade de formar, capturar e comunicar histórias, ideias, conceitos, reflexões e aprendizados de acordo com sua audiência.

A comunicação acontece em uma variedade de contextos. O que inclui refletir sobre o desempenho em time de projeto ou elaborar um vídeo para mostrar o potencial do seu produto para um investidor. Conforme praticamos o aprendizado experiencial na d.school, a comunicação e a contação da história são primordiais.

Design o seu trabalho como designer

Essa meta habilidade trata sobre reconhecer um projeto como um problema de design e então decidir sobre as pessoas, ferramentas, técnicas e processos que serão utilizados para abordá-lo.

Essa habilidade evolui com a prática e a vemos emergir nos estudantes mais experientes. Demanda o uso da intuição, misturada com ferramentas e o desenvolvimento de novas técnicas para o desafio em mãos.

Não existe o O

Apesar de vivermos na era da urgência, a maestria demanda tempo, paciência e prática. Então, embora geralmente faça mais sentido introduzir aos marinheiros de primeira viagem o design (thinking) como um processo, lembre-se que não se trata d’O processo. Falar do processo oferece apenas uma visão geral das habilidades necessárias para um designer. O Design como disciplina está evoluindo e se tornando um sofisticado catalisador para gerar impacto positivo em projetos tanto pequenos quanto grandes, porém o caminho para se atingir o resultado está longe de vir de um formulário.

 

Escola Design Thinking

A Escola Design Thinking foi criada para aqueles que desejam estar na fronteira da inovação.

Criada em 2012 pela Echos – Laboratório de Inovação, a Escola Design Thinking é uma escola de inovação na prática que tem como propósito formar a nova geração de inovadores.

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