Esse é um dado proveniente de um estudo realizado pelas Nações Unidas.

Porém, essa realidade não terá como causa fatores tradicionais e conjunturais como os econômicos ou políticos. A  disrupção tecnológica que o mundo vive e que será ainda mais veloz nos países em desenvolvimento será o principal fator que irá moldar a organização do trabalho do futuro.

No artigo abaixo, publicado no portal Futurism, você descobrirá como essa mudança está acontecendo.

Relatório das Nações Unidas: Robôs irão substituir dois terços dos trabalhadores nos países em desenvolvimento

Custo da mão-de-obra como vantagem competitiva?

De acordo com parte dos estudos atuais, o processo de automação/robotização da mão-de-obra apenas afeta aqueles que vivem nos países desenvolvidos. No entanto, um estudo recente da UNCTAD –  Conferência das Nações Unidas de Comércio e Desenvolvimento – alerta que esses processos de automação também impactam os países em desenvolvimento.

Aliás, conforme o relatório, o impacto nesses países é ainda maior do que no mundo industrializado.

O relatório explica: “O aumento no uso de robôs nos países desenvolvidos pode provocar o fim da tradicional vantagem competitiva que os países em desenvolvimento possuem pelo uso de mão de obra mais barata”.  Isso porque, até então, a internacionalização das empresas e a própria globalização estavam baseados na premissa de que terceirizar a produção para os países em desenvolvimento representava custos menores, principalmente em razão dos custos trabalhistas mais baixos. Porém, o impacto que a automatização está traz reduzindo esses custos com maior intensidade, muda essa lógica.

Além disso, conforme outro relatório do Banco Mundial: “A proporção de empregos que poderia ser significativamente automatizada é, na verdade, maior em países em desenvolvimento do que em países em estágio mais avançado, onde diversos empregos já desapareceram”.

Em resumo, a automatização já impacta os países os países desenvolvidos, cujas empresas estão retornando a produção para o respectivo país de origem e que, nos países em desenvolvimento, os empregos com baixos requisitos estão mais vulneráveis, na medida em que esses empregos potencialmente serão substituídos por robôs. Assim, os robôs já são a nova força de trabalho para tarefas de baixa qualificação em países desenvolvidos e serão nos países em desenvolvimento.

Em números, significa dizer: Três quartos de todos os empregos nos países em desenvolvimento podem desaparecem por causa da automação.

O relatório ainda afirma que a automação poderia ter os mesmos efeitos econômicos como acontece na indústria manufatureira, em que há a desterceirização da produção. Ou seja os países desenvolvidos estão voltando a produzir em seus próprios territórios em razão do avanço da tecnologia. Conforme a tecnologia se massifica, aos poucos se torna mais acessível e economicamente mais barata do que a mão-de-obra humana. A “desterceirização” já é uma realidade.

No futuro, conforme o processo de automação evolui nos países em desenvolvimento, essa taxa de crescimento provavelmente irá aumentar drasticamente. Isto é, estamos prestes de vivenciar uma mudança exponencial nas relações de trabalho e de empregabilidade.

Crédito: PAUL CHESLEY/National Geographic Creative

A MANUTENÇÃO DOS EMPREGOS HUMANOS

Essas mudanças, com certeza, trazem uma variedade de questões a serem resolvidas. Como se ameniza o impacto que os robôs e a automação terão no mundo em desenvolvimento? Como proteger a força de trabalho humana e a economia desse processo de automação?

De acordo com o relatório da UNCTAD, “o futuro será moldado pelas políticas públicas”. Em outras palavras, as nações precisam começar a planejar a inevitabilidade da automação e a perda de empregos agora. Nesse sentido, o relatório recomenda que os países absorvam a “revolução digital” mediante a mudança das políticas educacionais em conjunto com outras políticas como macroeconômicas, industriais e sociais. No entanto, será necessário incorporar computadores intensivamente ao sistema educacional e mudar, de cima para baixo, como a sociedade funciona.

Obviamente que essa transformação será uma tarefa árdua.

Um caminho que poderia ser introduzido é a Renda Mínima Universal – uma renda fixa dada a todos os indivíduos, independentemente se está empregado ou de sua situação econômica. Trata-se de um sistema que já é fonte de debate, com diversos especialistas trazendo o tema à luz e advogando em seu favor.

Na verdade, em alguns países como Finlândia já se iniciou a implementação do modelo.

Em um futuro próximo, será possível avaliar os resultados e, caso sejam positivos, reconstruir as estruturas econômicas e sociais para acomodar essa nova realidade.

“Tecnologias disruptivas sempre trazem um misto de benefícios e riscos”, como conta no relatório. Portanto, a recomendação é sempre considerar os riscos oriundos dessas tecnologias, ao mesmo tempo em que se explora novas formas de melhorar a sociedade (e transformá-la) com o uso delas.

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