O Brasil é o 5º país mais violento do mundo para as mulheres (Mapa da Violência 2015). Milhares de mulheres são mortas por seus agressores, todos os anos no País, em razão de serem do gênero feminino. Segundo a ONU, 7 em cada 10 mulheres foram ou serão violentadas em algum momento da vida.

Trata-se de uma violência de múltiplas faces. Desde um ato de assédio verbal e outras formas de abuso emocional, até o abuso físico ou sexual. Em muitos casos, como dito, culminam em morte.

Um dado assustador é que esse tipo de violência está mais próxima do que se imagina. Na maioria dos casos, acontece no ambiente doméstico e são provocados por alguém com o qual a vítima possui um vínculo amoroso ou afetivo.

Ao mesmo tempo, 96% dos jovens entre 16 a 24 anos perceberem o machismo presente na sociedade brasileira, mas boa parte deles aprovam valores machistas, como, por exemplo, “a mulher deve ficar com poucos homens” ou “a mulher deve ter a primeira relação sexual com um namorado sério”.

O papel do Design

Há uma mudança sistêmica que precisa acontecer. É preciso acabar com uma cultura sexista e de incentivo à violência. Nesse sentido, o design nos ajuda a acessar toda essa complexidade de forma mais humana e empática.

Afinal, o design pode ir muito além do que é estético ou funcional. Com o design podemos transformar pessoas, organizações, negócios, sistemas.

Assim, com ele não apenas se cria o tangível, mas principalmente e mais importante, somos capazes de criar aquilo que não podemos tocar, mas que impacta nossas vidas diariamente.

Exatamente por ser uma força de criação que coloca o ser humano no centro do processo, representa uma ferramenta poderosa para criar novas conexões e entender com profundidade as pessoas – visão 360º – e seus aspectos físicos, psicológicos, sociológicos e culturais.

“Para conseguirmos alcançar um futuro diferente precisamos primeiramente de uma mudança de comportamento, é por isso que hoje o design, mais importante é o invisível; aquele que trata de crenças, hábitos, valores e sistemas.”

— Inspirado nos textos de Steven Heller (http://commonwise.com/)

O primeiro passo

Em 2016, nós da Echos desenvolvemos uma experiência de empatia profunda em parceria com a organização do evento What Design Can Do para que homens e mulheres sintam na pele o que significa a violência contra a mulher no Brasil.

A partir do design Thinking, a equipe de consultores da Echos fez um amplo entendimento sobre a situação da violência contra a mulher. Depois de realizar pesquisa com homens, mulheres e autoridades no assunto, chegaram a conclusão que havia um elemento-chave nesse contexto e que permeava o sistema:  a violência surge de uma relação de poder e da supremacia masculina historicamente construída, bem como seus desdobramentos em diversos ambientes sociais.

A partir desse cenário e da compilação das informações levantadas, chegou-se ao Mapa do Poder, um esquema que explica as relações de poder em nossa sociedade. Você pode fazer o download, basta clicar aqui.

Veja nesse vídeo como foi a experiência de empatia profunda no evento What Design Can Do:

Deep Empathy – Violência contra Mulher

Por acreditar no poder do design como transformador de realidades, em 2017, a Echos irá utilizá-lo para contribuir na redução da violência contra a mulher no Brasil. Utilizando a abordagem de design thinking, criamos o Deep Empathy – Violência Contra a Mulher, um projeto experimental de empatia profunda que traz o design como uma nova abordagem com o objetivo de sensibilizar sobre um problema no Brasil tão profundo e complexo como a violência contra mulher.

Nos próximos meses, iremos realizar, sessões de empatia profunda abertas ao público em nossa sede em São Paulo onde os participantes (homens e mulheres) passarão por 3 estações em que se colocam na pele de mulheres que sofrem agressão todos os dias. Não podemos deixar que mais de 13,5 milhões de mulheres continuem sofrendo algum tipo de agressão ou que a cada 11 minutos uma mulher seja estuprada no país. Por isso resolvemos agir.

Quem pode participar

Qualquer pessoa, empresa, organização, grupo, família que queira repensar suas crenças e hábitos para reduzir a violência contra a mulher. A experiência é a mesma em todas as sessões, portanto, basta se inscrever na data que lhe for mais conveniente!

Temos sessões tanto individuais quanto reservadas para organizações. Para saber mais, acesse o site do projeto.

Paulo Tiroli

Paulo é advogado, marketeiro e inquieto. Passou a notar que perdemos muito tempo tentando nos encaixar nos moldes dos outros e, por acreditar que todos possam encontrar a própria trilha, espera ajudar as pessoas nesse sentido. Participa de movimentos sobre empreendedorismo de impacto e crê na força dos negócios como ferramenta transformadora da realidade. Atualmente, faz parte do time da Echos – Laboratório de Inovação e sonha em ser facilitador de processos.

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